Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 123 | Ano 13 | Mai 2008
ECONOMIA

José Antônio Alonso

A divulgação do zoneamento ambiental para a silvicultura (ZH, 10.4.08, ps. 4 e 5) reacendeu o debate em torno dos grandes projetos florestais no Rio Grande do Sul. O zoneamento definido pelo Consema estabelece três categorias de limites à atividade de silvicultura: áreas mais recomendadas para o plantio (baixa restrição), áreas intermediárias (média restrição), e áreas menos recomendadas para o plantio (alta restrição). Curiosamente, para este autor, grande parte das áreas mais propícias ao florestamento está localizada na parte Norte do estado. As áreas menos recomendadas estão disseminadas pelo estado, em manchas localizadas na Fronteira-oeste, na Serra do sudeste, ao longo do Litoral, no Nordeste do estado, em parte da faixa de fronteira com Santa Catarina e numa estreita faixa que vai de São Francisco de Assis até o Vale do Rio Pardo, aproximadamente. As áreas consideradas intermediárias ou de média restrição estão localizadas, predominantemente, na Metade Sul, ao longo da Lagoa dos Patos passando pela RMPA indo até os Campos de Cima da Serra e pequenas extensões no Alto Uruguai.

O que queremos chamar a atenção é que muito pouco das áreas recomendadas para o plantio está localizada na Metade Sul, o resto do território tem alta ou média restrição. Certamente, não serão licenciados projetos nas áreas de alta restrição. É crível imaginar que grande parte de projetos propostos para a área de média restrição poderá ser, parcial ou integralmente, indeferida, devido à fragilidade ambiental. Com as informações atualmente disponíveis, deduz-se que as expectativas de impacto econômico (criar empregos e desenvolver a região) não serão nos níveis apregoados pelos empreendedores e formuladores de políticas governamentais para o setor. Haverá impacto, sim, mas não o suficiente para reverter o quadro de estagnação e letargia regional na Metade Sul. A produção de madeira para celulose poderá ser o terceiro produto de expressão nessa zona do estado, os outros dois são a carne e o arroz, ainda insuficientes para mudar a estrutura econômica concentrada e quase monocultora da região.

Fica a dúvida, face ao zoneamento divulgado, se os projetos florestais do presente irão competir pelo solo agrícola hoje ocupado pela dinâmica lavoura de grãos (soja, milho e trigo) que se desenvolve na Metade Norte, área sem restrição para o florestamento, ou ainda, com o arroz em São Borja, Itaqui e parte de Uruguaiana.

Marcado .Adicionar aos favoritos o permalink.
© Copyright 2014, Jornal Extra Classe - Todos os direitos reservados.

Os comentários estão encerrados.


CONTEÚDOS RELACIONADOS