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Nº 125 | Ano 13 | Jul 2008
EDUCAÇÃO

As redes públicas da região Sul se destacaram nos índices de desenvolvimento da Educação Básica (Idebs) de 2007 relativos à oitava série do Ensino Fundamental. Os estados de Santa Catarina e Rio Grande do
Da Redação

As redes públicas da Educação Básica que alcançaram índices acima de seis pontos estão no patamar dos países mais desenvolvidos e industrializados do mundo, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A meta do Ministério da Educação é que todas as redes alcancem seis pontos em 2022, ano do bicentenário da independência do Brasil.

Dos 956 municípios da região Sul que participaram do Ideb em 2005 e 2007, na quarta série do Ensino Fundamental, 855 alcançaram as metas em 2007, o que representa 89,4% de todos os alunos dessa série nos três estados. O Paraná obteve 90,8%; Santa Catarina, 90,9%; Rio Grande do Sul, 86,6%.

Na oitava série, a região teve 1.061 municípios com Idebs pesquisados nos anos de 2005 e 2007. Destes, 812 (76,5%) alcançaram a meta em 2007: Paraná, 86,3%; Santa Catarina, 70,04%; e Rio Grande do Sul, 71%. O Ideb do Ensino Médio nacional passou de 3,4 pontos em 2005 para 3,5 pontos em 2007.

O cálculo do Índice da Educação Básica combina o desempenho dos alunos dos sistemas estaduais e municipais na Prova Brasil com dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). As provas são aplicadas a cada dois anos. A Prova Brasil é um teste de leitura e Matemática para turmas de quarta e oitava séries do Ensino Fundamental (ou quinto e nono anos, nos sistemas de nove anos). Os alunos do Ensino Médio fazem o Saeb, que também avalia habilidades em Língua Portuguesa, com foco na leitura, e Matemática, através da resolução de problemas. O Saeb é uma avaliação por amostra.

SÍNDROME DO RANKING – Na opinião do presidente do Conselho Estadual de Educação do RS (CEED/RS), Jorge Renato Johann, a avaliação do Ideb representa um avanço para o RS. “Ainda se percebe grandes diferenças entre as regiões Norte e Sul do estado, mas considero plenamente possível alcançarmos os índices desejados até 2022, conforme previsão do MEC”, projeta.

A Professora Helena Côrtes, coordenadora do curso de Pedagogia Multimeios da PUCRS, é mais crítica em relação à evolução dos números do Ideb. “Sempre há um crescimento, mas não considero os índices bons para o RS. Temos condições de melhorar”, ressalva. Ela lembra que pesquisas como o Ideb, Enade e Enem são ótimas e necessárias, pois definem aporte de recursos financeiros. No entanto, não podem ser vistas de forma isolada. “No Brasil, temos uma ‘síndrome do ranqueamento’ e os índices acabam sendo usados apenas como propaganda. É preciso um processo de acompanhamento desses dados, que devem ser analisados e interpretados corretamente, pois eles devem gerar políticas públicas para a Educação. É isso que ainda falta”, sinaliza. Para Helena Côrtez, as diferenças apresentadas pelas regiões Norte e Sul do estado são geográfica e economicamente explicáveis, porém, ainda existem desafios básicos, como a informatização de toda a rede pública, que, segundo previsão do MEC, será alcançada em 2011.

Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS, considera que a avaliação é um importante indicador, seja na constatação da correção no desenvolvimento de projetos pedagógicos, seja como sinalizador da necessidade de mudanças. “Devemos ter cuidado, porém, para que a avaliação do índice de desenvolvimento não minimize as grandes diferenças de recursos entre as escolas públicas. Há redes que têm uma vocação maior para o atendimento nessa área e investem de forma significativa na Educação. Já outras, não. O importante é que sejam oferecidas a alunos e professores as condições necessárias para que durante o processo haja, de fato, aprendizagem”, pondera Cecília.

AMÉRICA LATINA – Uma pesquisa do Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade da Educação, ligado à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), feita em 16 países da América Latina, por sua vez, revela que os alunos da terceira série do Ensino Fundamental do Brasil não conseguem demonstrar o conhecimento esperado em leitura e Matemática. Na sexta série, há avanços em leitura: metade dos estudantes pesquisados está dentro da meta. Já em Matemática, a avaliação é negativa. O único país latino-americano em que a maioria dos estudantes, em ambas as séries e em todas as disciplinas, aparece no nível mais alto de aprendizagem é Cuba. Chile, Costa Rica, México e Uruguai tiveram avaliações melhores que a brasileira, mas mantêm muitos alunos nos níveis mais baixos de aprendizagem. O estudo foi feito com provas em turmas de terceira e sexta séries do Ensino Básico em leitura, Matemática e Ciências com mais de 200 mil alunos de 16 países. O Brasil não participou do exame de Ciências.

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