Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 128 | Ano 13 | Out 2008
ENSINO PRIVADO
MERCANTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

No último dia 25 de setembro, a assessoria de imprensa do UniRitter motivada por questionamento do Sinpro/RS, enviou um e-mail para o setor de Comunicação Social do Sindicato que dizia: “O UniRitter não foi vendido e não o será para a Anhanguera”. Com essa frase encerrava-se a novela que se arrastou desde julho, envolvendo a então iminente transferência do terceiro mais bem avaliado centro universitário privado do país (de acordo com o MEC) para o setor mercantil da Educação, representado pelo Grupo Anhanguera Educacional S/A. Mesmo assim, ainda permanecem algumas perguntas no ar: se o UniRitter será vendido e para quem. Nossa reportagem enviou essas perguntas para a Reitoria, mas ainda não obteve respostas.

O caso chamou a atenção da imprensa, que destacou as questões econômicas envolvidas em um negócio de R$ 20 milhões. Nesse caso, cada aluno seria comercializado a R$ 4.600, como constaria (caso o negócio se concretizasse) nos usuais comunicados que o grupo Anhanguera faz aos investidores da Bolsa de Valores, ao justificar sua política de expansão.

Em um segundo momento, a repercussão foi motivada predominantemente à grande mobilização de professores, alunos e funcionários contra o negócio que sinalizava a mudança de um perfil acadêmico atestadamente de qualidade por um modelo que prioriza o lucro e não a qualidade. “Neste contexto, a participação do Sinpro/RS foi decisiva, atuando na vanguarda do movimento em conjunto com alunos, funcionários, professores e parlamentares na defesa da integridade do perfil da instituição”, relata Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS.

MANIFESTAÇÕES – Na noite da terça-feira, 16 de setembro, realizou-se o primeiro de dois dias de intensiva mobilização nos campi da instituição. Já tinham sido realizados protestos em agosto. O ato ocorrido no campus de Canoas contou com expressivas manifestações de representantes da comunidade acadêmica, que entoaram o slogan “Educação não é mercadoria”! Na noite seguinte, 17, ocorreu um ato ainda mais numeroso no campus de Porto Alegre. “Diante daquele grande número de manifestantes, ficou cada vez mais evidente a grande oposição que existia na comunidade acadêmica ao negócio”, recorda a diretora do Sindicato.

COMITÊ – No dia 27 de setembro, o Comitê em Defesa do Patrimônio Acadêmico do UniRitter, composto pelo Sinpro/RS, estudantes, professores, funcionários, entidades e parlamentares, realizou reunião extraordinária para a avaliação da Nota do Reitor da instituição, Flávio D’Almeida Reis, expedida no dia 25, que comunicava “o encerramento das negociações com um grupo educacional paulista e que a administração do UniRitter permanece inalterada”. Os presentes foram unânimes na avaliação de que o fato representou uma vitória do processo de articulação e mobilização dos segmentos da comunidade do UniRitter na defesa do perfil da instituição. Na ocasião, decidiram manter a solicitação de audiência pública na Comissão de Educação da Assembléia Legislativa para a discussão da mercantilização da Educação superior, assim como a visita ao Ministério Público Federal para maiores esclarecimentos sobre transferência de instituições sem fins lucrativos para o setor mercantil da Educação brasileira. Mantiveram também a articulação para o acompanhamento de possibilidades que possam afetar o padrão educacional das instituições de Educação.

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