Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 128 | Ano 13 | Out 2008
MEMÓRIA

Por José Weis

Um dos programas de maior credibilidade da história do rádio, oRepórter Esso se manteve no ar por quase 28 anos, transformando-se num ícone do radiojornalismo. O fenômeno radiofônico é dissecado emO Repórter Esso – A síntese radiofônica que fez história (AGE-EdipucRS, 315 páginas, R$ 40), livro do jornalista e professor de comunicação Luciano Klöckner. A obra é um mergulho na história do rádio no Brasil, que iniciou na década de 20, teve seu apogeu nos anos 40 e 50 e vem se adaptando e convivendo bem com as demais mídias na atualidade.

Ao longo de quase três décadas, toda vez que a edição do Repórter Esso ia ao ar, o país literalmente parava para ouvir “a testemunha ocular da história” ou “o primeiro a dar as últimas”, como anunciavam as chamadas características junto com a sua inconfundível cortina musical. Enquanto esteve no ar – de 30 de agosto de 1941 a 31 de dezembro de 1968 – e mesmo depois da sua derrocada, o Esso fez escola no rádio brasileiro e latino-americano.

Criado pela agência de publicidade norte-americana McCann-Erickson em parceria com a Esso e a agência de notícias United Press, o programa seria o pivô, em 1957, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as atividades políticas desses grupos no Brasil. A primeira edição do Repórter Esso foi ao ar no dia 28 de agosto de 1941, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Logo São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre também teriam uma edição própria do programa, que consagrou no Rio locutores gaúchos como Heron Domingues e, em Porto Alegre, Ruy Figueira e Lauro Hagemann.

INFLUÊNCIA – Jornalista, professor e pesquisador da história do rádio no Brasil, Luciano Klöckner, que é doutor em Comunicação, leciona na Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS. A linha de pesquisa que resultou no livro começou ainda nos anos 90, quando ele lecionava a disciplina de especialização em radiojornalismo. O autor conta que sempre ouvira falar do tal de Repórter Esso, que saíra do ar quando ele tinha apenas dez anos de idade. “Não há como negar a importância do Repórter Esso para o jornalismo mundial. Na atualidade, as principais redes de rádio, de televisão, e mesmo da internet, se utilizam, talvez até sem perceber, da estrutura, do formato e das normas expressas pelo manual desse noticioso”, afirma Luciano.

Quando se refere à influência do Repórter Esso na história do rádio brasileiro, Klöckner ressalva que é preciso lembrar o contexto histórico em que o programa foi lançado, durante a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945). O Brasil estava dividido entre o nazifascismo e a causa aliada. Criado para dar notícias da guerra, o Repórter Esso resultou da pressão norte-americana para que o governo de Getúlio Vargas aderisse aos Aliados contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Era o tempo da política de boa vizinhança. O Brasil entrava na onda do american way of life. Nesse contexto, o rádio era um poderoso instrumento de homogeinização ideológica.

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