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Nº 130 | Ano 13 | Dez 2008
ECONOMIA

José Antônio Alonso

Passados os primeiros meses da crise financeira, adotadas as primeiras medidas, tanto nos paises centrais quanto nos emergentes, fica uma certeza, a de que as dificuldades serão duradouras arrastando em seu caminho grandes perdas e perspectivas sombrias. O debate e os esforços iniciais foram no sentido de prover liquidez aos mercados, isto é, lubrificar a economia, mediante gigantescos aportes de recursos públicos. Todavia, os agentes financeiros têm adotado uma postura de verdadeira “retranca” na oferta de crédito, o que tem conseqüências negativas para os tomadores potenciais, tanto produtores quanto consumidores.

Esse movimento levará, irremediavelmente, algumas das economias desenvolvidas a ingressarem em períodos recessivos e as economias emergentes, como o Brasil, a reduzirem as taxas de crescimento econômico. Em alguns países da zona do Euro (Alemanha e Inglaterra), os indicadores mais recentes revelaram que, tecnicamente, há recessão. No caso brasileiro, as expectativas e metas de crescimento para 2009 devem ser repensadas, apesar das autoridades econômicas manterem-se mais otimistas do que a média dos analistas, imaginando expansão do produto entre 4 e 4,5% no ano. Mais realista, neste momento, seria projetar o crescimento entre 3 e 3,5% em 2009.

A questão passa a ser o que fazer no Brasil, para assegurar o alcance desta meta. Em meio a intenso debate ganham força as posições defendidas por economistas de filiação keynesiana, que propõem a adoção de políticas contracíclicas, mediante a elevação do gasto público, como forma de estabilizar a trajetória de crescimento econômico. Para tanto, argumentam que há margem para este procedimento, dado que o déficit nominal brasileiro é de 0,5% do PIB. Todavia, a fórmula keynesiana recomenda que se combine a quantidade à qualidade do gasto para se obter maior efeito multiplicador, por real dispendido. Para tanto, o gasto deve atingir estratos da população com alta propensão ao consumo, como por exemplo, o grande número de trabalhadores contratados para as obras públicas. Outro gasto considerado de qualidade é o destinado às políticas sociais, ainda que estes tipos de políticas sejam mais associados a projetos de desenvolvimento de longo prazo. Todavia, nesta conjuntura, face ao risco de redução acentuada dos fluxos monetários e reais, as políticas sociais tendem a contribuir, com mais efetividade, para a manutenção do crescimento macroeconômico de curto prazo, juntamente com a política de investimentos do PAC.

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