Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 139 | Ano 14 | Nov 2009
PALAVRA DE PROFESSOR
PALAVRAS DO PROFESSOR

Quem nunca se excedeu no uso das palavras? Em momentos de raiva, falamos uma palavra indevida, insultamos. É compreensível, pois as palavras às vezes nos escapam.
Por Joselma Noal

Quem nunca se excedeu no uso das palavras? Em momentos de raiva, falamos uma palavra indevida, insultamos. É compreensível, pois as palavras às vezes nos escapam. Digo isso em virtude da polêmica causada pelo vocábulo utilizado pela professora e vice-diretora Maria Denise Bandeira da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena, na Vila São Tomé, em Viamão, ao chamar de bobo-da-corte um aluno que havia riscado a parede da sala de aula.

Se fosse há 20 anos, quem sabe até dez anos, certamente não haveria nenhuma polêmica no episódio. O aluno pintaria as paredes, ouviria o bobo-da-corte e pronto. A professora errou em insultar o garoto e já se desculpou pelo insulto. Quanto à punição, nada há para se arrepender ou desculpar. Se o aluno sujou a parede deve pintá-la novamente. Isso é incontestável. Nenhum pai contestaria isso, nem mesmo um pai dos anos 80.

Houve filmagem da cena de humilhação. Registro aqui a sugestão de que sejam instaladas câmeras em todas as salas de aula em escolas públicas e privadas de nosso país. Os pais que costumam defender seus filhos, sejam eles pichadores ou não (porque escrever o nome em uma parede é um ato de pichação, de depredação do bem público), se assustariam com as atitudes de seus filhos. Ser chamado de bobo-da-corte não é nada comparado aos insultos diários sofridos por professores.

Em que momento os alunos passaram a comandar a sala de aula? Algo está fora de ordem na educação. É uma questão de autoridade. O professor é a autoridade da sala de aula e, portanto, deve ser respeitado. Os pais da atual geração de estudantes foram educados de modo muito punitivo, conviveram com a ditadura, com a censura. Talvez por isso quiseram educar seus filhos de um modo mais livre e o equívoco deste modelo podemos verificar no espaço escolar e na sociedade.

As escolas promovem palestras sobre os limites, ou melhor, sobre a ausência deles, mas iniciativas como essas não são suficientes. Pode ser que os pais compareçam aos encontros e até mesmo os considerem importantes, mas não haverá resultados sem uma mudança de atitude em casa.

Como fazer as coisas voltarem aos seus devidos lugares? Não sei. Escrevo porque sempre penso na escrita como uma maneira pacífica de tentar defender ideias. E uma das causas que defendo é esta: pais e professores devem permanecer sendo autoridades no século 21.

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