Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 140 | Ano 14 | Dez 2009
JOSÉ ALONSO
COLUNISTA

A profunda crise financeira surgida nos países centrais (EUA e UK) provocaram temores no Brasil de que os efeitos mais perversos da mesma atingissem em cheio a economia do país. Passada a fase mais aguda constatou-se que os efeitos sobre a economia brasileira foram menores do que o imaginado. Com o passar do tempo a confiança foi sendo readquirida, os fundamentos da economia passaram a demonstrar que o país, grosso modo, estava no rumo certo. As perspectivas para 2010 e anos seguintes são de expansão econômica (renda e emprego) expressivas. Além disso, a movimentação do país no exterior através do governo e demais instituições acabou por credenciar o Brasil para sediar mais uma Copa do Mundo de Futebol e a primeira Olimpíada da nossa história, no Rio de Janeiro. Obviamente esses fatos introduziram uma certa euforia em muitos setores sociais, afinal esses eventos não são somente competições esportivas. Eles se transformaram, em verdadeira arena de business, onde interesses públicos e privados atuam de forma articulada com a finalidade de produzir “bem-estar coletivo” e acumular riqueza.

A realização desses eventos demanda uma oferta de infraestrutura e organização que muitas vezes as cidades que os sediam não dispõem, exigindo a mobilização de grandes volumes de recursos, públicos e privados, para implementar ou expandir linhas de metrôs, estádios e ginásios esportivos, rede hoteleira e hospitalar, amplas instalações para alojamentos, serviços de segurança, ampliação de aeroportos etc. Nesses casos, o setor público acaba vestindo uma “saia justa” premido pelo charme e pela sedução que tais eventos exercem sobre imaginário coletivo? Ainda que se saiba, de antemão, que a opção por esses eventos implica deixar de atender a outras necessidades sociais históricas do povo brasileiro.

A realização desses dois eventos certamente terá um impacto positivo naquelas cidades que servirão de sede para eles. Todavia, é certo também que os impactos serão muito menores do que os que estão sendo divulgados pelo segmentos diretamente interessados no assunto. Nesse sentido, por exemplo, todo o país ajudará o RJ a realizar as Olimpíadas de 2016, através dos investimentos da União. Mas, qual será o impacto da Olimpíada carioca em Porto Alegre? Simplesmente nenhum. E a Copa do Mundo, o que deixará para Porto Alegre em duas semanas de duração? Aproximadamente R$ 400 milhões (ZH, 18-11-09) em obras importantes, mas, convenhamos, algumas delas são triviais numa cidade como Porto Alegre. Portanto, não tenhamos nenhuma ilusão, devemos celebrar apenas o que é certo nesses megaeventos, o charme dos mesmos.

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