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Nº 148 | Ano 15 | Out 2010
SAÚDE
ESPECIAL

Os professores não ficam de fora. Estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concluiu que os professores estão mais sujeitos que outros grupos a terem transtornos psíquicos de intensidade variada, devido às condições de trabalho – excesso de tarefas e ruídos, pressão por requalificação profissional, falta de apoio institucional e de docentes em número necessário, entre outras. E esses transtornos são os que mais originam pedidos de afastamento do trabalho.

A chamada Síndrome de Burnout – o nome vem da expressão em inglês to burn out, que significa queimar completamente, consumir- se – vem sendo apontada como o transtorno emocional que mais atinge professores. Os principais sintomas são cansaço excessivo, irritabilidade, baixa autoestima, insônia, dores musculares, desordens gastrintestinais, frequentes dores de cabeça e dificuldade de concentração.
Pesquisa nacional feita pela Universidade de Brasília (UnB) no final da década passada entre professores, concluiu que 48% apresentavam algum sintoma da síndrome. Outra mais recente (2003), elaborada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apresentou resultados semelhantes: 46% já tiveram diagnosticado algum tipo de estresse. Entre as mulheres esse índice chega a 51%.

A razão, segundo especialistas, está relacionada principalmente à falta de reconhecimento e à indisciplina dos alunos na sala de aula. A pressão por parte das escolas que colocam em primeiro plano os interesses mercadológicos, o medo de perder o emprego e o fato de muitas vezes ter que dar aula em mais de uma escola para complementar a renda seriam outros agravantes. Como a maioria dos que desenvolvem o problema são pessoas extremamente dedicadas, motivadas, idealistas e perfeccionistas, é muito comum se culparem pela falta de interesse dos alunos, acreditando que deveriam dominar as mais diferentes técnicas para estimular o aprendizado.

A Burnout – inicialmente observada em trabalhadores da área da saúde que dão assistência a pessoas em situação de necessidade e dependência – pode causar ainda complicações de saúde mais graves e perda da qualidade de vida. Médicos e psicólogos ressaltam a importância de treinar habilidades de autocontrole e buscar ajuda profissional o quanto antes, para se defender dos efeitos nocivos do contexto.

Estes dados dos professores estão em concordância com pesquisa divulgada pelo Sinpro/ RS e FeteeSul em junho de 2009. O estudo, realizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho – Diesat, apontou que fatores como jornada de trabalho elástica, excesso de atividades, pressão de chefias e de alunos estão entre os principais geradores de agravos à saúde física e mental dos professores. Além disso, a pesquisa mostrou que um grande número de professores, mesmo adoecidos, não deixa de cumprir o expediente, fazendo uso excessivo de tratamentos e medicamentos

Magistério está entre as profissões de risco

• 49% fazem tratamento com medicamentos e outros procedimentos;
• 45% apresentaram problema de saúde física e mental relacionado ao trabalho;
• 78% sentiram cansaço e esgotamento frequentes nos seis meses precedentes à pesquisa;
• 20% utilizam medicamento antidepressivo;
• 59% tiveram dificuldade para dormir nos últimos seis meses;
• 71% sentem dores no corpo após um dia de trabalho.
Fonte: Pesquisa Sinpro/RS/FeteeSul/Diesat

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