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Nº 148 | Ano 15 | Out 2010
SAÚDE
ESPECIAL

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Foto: Claudete Sleber

Foto: Claudete Sleber

Quando o assunto é depressão, as diferenças entre os sexos em relação aos transtornos mentais são evidentes. Dados de um estudo do Banco Mundial revelam que a depressão em mulheres de países em desenvolvimento, é responsável por 30% dos casos de incapacidade laboral (afastamento do trabalho ou de atividades cotidianas por tempo determinado ou não) decorrentes de doenças mentais, enquanto a porcentagem entre os homens foi de 12,6%.

Além dos fatores genéticos que predispõem à depressão, no caso das mulheres há os hormonais (puberdade, período pré-menstrual, gestação, puerpério e menopausa), que influenciam diretamente, segundo especialistas. Estes se aliam a outros agravantes como o acúmulo de funções (trabalho fora, lida doméstica, cuidar dos filhos). E ainda pesquisas recentes apontam que a ansiedade e a depressão entre as mulheres podem ter origem biológica – teste em ratos, feitos por pesquisadores da Filadélfia/EUA, confirmaram que a proteína que responde ao estresse é defasada em fêmeas.

HOMENS – Mas quando se trata de tirar a própria vida, os homens lideram o ranking. Paradoxalmente, as mulheres tentam mais vezes o suicídio, mas como costumam usar métodos menos agressivos, o índice de letalidade é menor. Entre 15 e 35 anos, o suicídio está entre as três maiores causas de morte e estima-se que o número de tentativas supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes.

SUICÍDIOS – Em 2003, cerca de 900 mil pessoas cometeram o suicídio, com maior incidência nos países desenvolvidos. Acredita-se que além dos fatores genéticos, socioeconômicos e geográficos, o suicídio esteja ligado também a aspectos climáticos e ambientais. Isso talvez explique o fato do Rio Grande do Sul, um dos estados brasileiros com melhor distribuição de renda, ser o que detém o maior número percentual de suicídios (11,3 para cada 100 mil habitantes) enquanto a Bahia tem o menor (1,8 para 100 mil).

Embora a taxa média no Brasil não seja considerada alta (4,9 para cada 100 mil pessoas), o problema vem crescendo em certos segmentos da população, como homens mais jovens, índios, idosos, trabalhadores do setor agrícola que tiveram a saúde prejudicada por pesticidas e mulheres jovens gestantes moradoras de rua.

PREVENÇÃO – Recentemente o Ministério da Saúde lançou uma cartilha de prevenção ao suicídio, dirigida às pessoas que trabalham no setor da saúde. No mês passado, documento similar foi disponibilizado pela Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul. Especialistas acreditam que com um eficaz trabalho de prevenção é possível mudar positivamente o quadro atual.

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