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Nº 155 | Ano 17 | Jul 2011
JOSÉ ALONSO

José Alonso

Arte: Pedro Alice

Arte: Pedro Alice

Recentemente o IBGE divulgou os números finais, revelados pelo Censo de 2010, relativos às populações municipais. Os dados confirmam com maior acuidade o que a contagem de 2007 e os resultados preliminares haviam mostrado para a demografia do estado. Sendo o crescimento vegetativo muito baixo no RS, as altas e as baixas taxas de crescimento e redução populacional dos municípios são causadas por fortes movimentos de migrações internas. Nesse sentido, os resultados do Censo mostram uma continuidade da tendência ao esvaziamento populacional de extensas áreas do estado, atingindo 51% das cidades.

Essa tendência é preocupante, na medida em que podemos associar perdas absolutas de população de uma cidade ou região à falta de oportunidades de emprego, à baixa oferta de serviços (educação, saúde, assistência social e cultura) e de infraestrutura (saneamento, energia, transportes e habitação). A percepção da população diante dessas dificuldades para atingir uma cidadania plena leva a uma decisão definitiva, a migração para outros locais, enfraquecendo potencialmente, em termos econômicos, os locais de origem. Isso significa que esses espaços acabam por ingressar numa trajetória que os leva ao subdesenvolvimento.

Em contrapartida, há espaços receptores desses contingentes populacionais que, por disporem de condições socioeconômicas mais favoráveis à realização pessoal, acabam por fortalecer as suas potencialidades de crescimento, devido ao caráter seletivo de boa parte dessas migrações.

Há um grande número de municípios que perderam entre 20% e 30% de suas populações entre 2000 e 2010, o que demonstra o tamanho do vazio social e econômico criado em apenas dez anos. Nesse caso, não são consideradas aquelas localidades que perderam população por cederem partes do seu território à criação de novos municípios. Por outro lado, há municípios que atraem população pelas expectativas de melhores condições de vida em geral e de emprego. Algumas do Eixo Porto Alegre-Caxias e as do Litoral Norte lideram a atração de migrantes e têm crescimento demográfico de 20% a 50% no período.

Esse crescimento demográfico tão desigual pode ser explicado pela persistência das disparidades regionais que contempla prosperidade em algumas regiões, enquanto em outras a estagnação econômica já se apresenta endêmica. A concentração de investimentos privados e públicos nesses recortes regionais é decisiva na atração inevitável de contingentes populacionais. Para as áreas de origem sobram desemprego, crise fiscal, baixo investimento.

Todavia, nos centros urbanos ditos mais ricos nem tudo são “rosas”. A velocidade do crescimento demográfico tem imposto, a essas localidades, alguns revezes na medida em que não conseguem prover adequadamente os serviços e a infraestrutura para atender a demanda adicional que os migrantes geram em tão pouco tempo.

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