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Nº 155 | Ano 17 | Jul 2011
ENSINO PRIVADO
ULBRA

Por Gilson Camargo
Não vamos partilhar a gestão", diz Ziemer, que negocia com o Banrisul

Foto: Paula Consul/Ascom/Ulbra

Não vamos partilhar a gestão”, diz Ziemer,
que negocia com o Banrisul

Foto: Paula Consul/Ascom/Ulbra

A um mês do prazo estipulado pela Reitoria para colocar em prática o último estágio do projeto de reestruturação da Ulbra, sobram especulações sobre o futuro da Universidade. Parcialmente superada a crise que quase inviabilizou o seu funcionamento por conta de má administração nas sucessivas gestões do fundador, Ruben Becker, a Ulbra anunciou em maio um projeto de recuperação a ser concluído em agosto.

Em busca de apoio, a Reitoria já manteve audiências com o governo estadual, com a Assembleia Legislativa, com o Congresso e o Judiciário federal para “apresentar um formato final do plano de reestruturação”. No começo de junho, a União exigiu a constituição de um fundo garantidor do projeto.

Negociada com a União e com o sistema financeiro, a proposta elaborada pela KPMG Consultoria prevê a conversão das dívidas bancárias em títulos ao portador, cria uma holding e transforma a Ulbra em sociedade anônima de capital fechado. A superação do déficit de caixa que, no auge da crise chegou a R$ 15 milhões ao mês, o faturamento mensal de R$ 40 milhões e quase 100 mil alunos matriculados no primeiro semestre de 2011, são indicadores exaltados no projeto para demonstrar a viabilidade da Ulbra – o que acabou despertando o apetite de grupos financeiros interessados em participar do projeto.

Emissários de um fundo de investimentos vêm fazendo lobby junto aos governos federal e estadual, à prefeitura de Canoas e a setores ligados à Educação, entre os quais o próprio Sinpro/ RS, além de forte ofensiva sobre a Celsp e a Reitoria da Ulbra com o objetivo de assumir a gestão da instituição. A proposta, de injetar R$ 800 milhões no projeto Ulbra S.A., previa uma contrapartida indigesta à Reitoria e à mantenedora: abrir mão do controle do negócio. “A Reitoria é contra a entrega da gestão da Ulbra”, enfatiza o reitor Marcos Ziemer. A proposta foi rejeitada. Outros investidores estão em avaliação e o mais provável, segundo ele, é que o fundo saia mesmo do grupo de credores da Ulbra. “Pode haver outros, mas vamos manter a linha de trabalho e o perfil educacional da instituição”.

O Banrisul, que cobra dívidas de R$ 140 milhões da Ulbra, surgiu no dia 21 de junho como uma alternativa, em reunião entre a Reitoria e a direção do banco. “Estamos em tratativas para um aporte financeiro”, despista Ziemer.

MOBILIZAÇÃO – A direção do Sinpro/RS vem realizando reuniões de professores da Ulbra, para manter a atenção e a mobilização do corpo docente no processo de reestruturação da Ulbra, e vê com preocupação o ingresso, nas negociações, de novos atores, especialmente investidores com perfil agressivo e visão mercantilista da Educação. “Isso pode representar um problema adicional para o ensino privado do estado, que tem uma tradição marcadamente comunitária e confessional”, alerta Marcos Fuhr, diretor do Sinpro/RS. O Sindicato defende que as garantias ao projeto sejam constituídas a partir do patrimônio da Celsp e dos próprios credores da Ulbra. Ressaltando a defesa dos contratos de trabalho dos professores e a preservação do projeto educacional, o dirigente acrescenta que “a solução do problema da Ulbra não pode representar a ampliação da especulação financeira no setor educacional gaúcho”.

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