Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 161 | Ano 17 | Mar 2012
JOSÉ ALONSO

Colunista: Alonso

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A persistência da crise na Europa, a estagnação da economia americana e a perspectiva de pouso, suave ou não, da economia chinesa em patamares mais baixos de crescimento econômico representam uma conjuntura de incerteza para os países emergentes (fora a China). Isso tudo, associado à agressiva desvalorização de suas moedas e as dissimuladas ações protecionistas, impõe a países como o Brasil grandes dificuldades para assegurar a competitividade em muitos segmentos da sua economia.

As consequências para o Brasil já vem sendo sentidas há alguns anos resultando na queda relativa das exportações de produtos manufaturados, ao mesmo tempo em que se observa uma invasão de bens (grande incidência de quinquilharias) de origem chinesa gerando a sensação de que o país esteja se desindustrializando (acometido pela “doença holandesa”), ou ainda, se “primarizando”, dada a grande expansão da agropecuária nas últimas décadas.

Diante desse quadro adverso, a pergunta que não quer calar é: que rumos deve tomar a política econômica no Brasil de tal forma que assegure a continuidade do crescimento do produto e do emprego com distribuição da renda, ao mesmo tempo em que conduza a taxa da inflação para o centro da meta (4,5%).

Ainda que os fundamentos da economia estejam sólidos e consolidados, são necessários ajustes com a finalidade de neutralizar os efeitos mais perversos da conjuntura externa. Nesse sentido, algumas medidas já estão em curso como a redução gradativa da taxa básica de juros (Selic), sempre com um olhar fino para o comportamento dos preços. Na verdade, o Banco Central objetiva alcançar um nível da taxa de juros que seja neutra no sentido de promover o crescimento sem causar pressão inflacionária. Os grandes bancos já estão chiando na medida em que projetam redução dos “sobreganhos” com juros. Nada demais, face ao que sempre ganharam, seja em tempos de crise ou prosperidade.

Outro nó a ser desatado é a apreciação do real, contrapartida brasileira da “guerra cambial” estabelecida entre o dólar, o euro e o yuan, principalmente. Nesse caso, a conjuntura parece nos empurrar para a adoção de mecanismos de controle de câmbio, ainda que seja temporariamente. Esse tipo de medida ajudaria a neutralizar os efeitos dos diferenciais das taxas de juros interna/externas. Tal procedimento é considerado uma heresia pela “boa teoria econômica”, segundo Delfim Netto. No presente, até alguns economistas do FMI defendem medidas que regulem, em certas situações, o funcionamento do mercado de câmbio.

Por fim, uma questão espinhosa, real e danosa ao interesse nacional. Refiro-me à concorrência predatória de produtos estrangeiros no território brasileiro. Essa situação conta com o patrocínio, direto ou indireto, de políticas oriundas dos países centrais. O normal, nesses casos, é protestar nos fóruns internacionais (OMC), mas essa via nem sempre tem se mostrado eficaz, o que obriga a adoção de mecanismos semelhantes de proteção, de natureza tarifária ou não, ainda que seja por tempo determinado, até que a concorrência “leal” seja restabelecida.

Como se vê, há muito o que fazer com cada vez menos graus de liberdade, o que exige dos policy makers e do governo brasileiro além de firmeza, muita competência e habilidade para conduzir os novos rumos da política econômica do país.

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