Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 162 | Ano 17 | Abr 2012
PALAVRA DE PROFESSOR

André Portella *

O aprendizado da cidadania proporcionado pelo empenho nos movimentos sociais passa por uma trajetória política que se destaca pelo fato de compreender as carências como situação de injustiça ou ausência de direitos, frutos de relações sociais e de decisões políticas. Além disso, pelo empenho coerente, ou seja, com esta visão, o sujeito se dispõe a lutar para implementar direitos desejados. Mas, ainda, essa compreensão precisa ser regada com as informações sobre formas diversas de mobilização e a escolha de prioridades organizativas no intento de influenciar o quadro da disputa entre forças sociais.

A prática social demanda negociações com instâncias de poder que revela a noção dos direitos num contexto de desigualdades e supõe uma referência à construção da cidadania. Com o intento de alcançar os objetivos postos utilizam-se as manifestações públicas como plataforma para negociação e estas se consolidam em recursos usados permanentemente.

A razão de levar à rua um contingente maior de pessoas parte da compreensão de que tal ato é educativo; do contrário, se fosse somente uma comissão, as garantias de atendimento diminuiriam, com chances de haver, inclusive, a possibilidade de ceder às pressões pelas negociações em pauta.

A possibilidade de exercer pressão política por parte dos movimentos aparece na tradução em importância numérica, através da qual se transforma em visibilidade pública, ou seja, as reivindicações colocadas em pauta ganham apoio da sociedade civil ou de partidos políticos e eclodem em notícias, que por sua vez também têm um papel muito importante nos movimentos sociais.

Não podemos somente criticar os movimentos sociais, devemos, sim, é aglutinar ideias democráticas de convívio pacífico e respeitar a pluralidade social, pois um país sem movimentos sociais organizados é presa frágil para ditaduras e elites conservadoras antidemocráticas.

Portanto, é hora do professorado sair da inércia, ser protagonista nesta empreitada, participar efetivamente das decisões e dos rumos da Educação, pois somente desta maneira seremos formadores de opinião e interlocutores de uma nova visão educacional.

*Especialista em Ciências Sociais,
professor do Centro Tecnológico Ulbra
e do Instituto Vicente Pallotti
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