Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 162 | Ano 17 | Abr 2012
ENSINO PRIVADO
CAMPANHA SALARIAL 2012

Ocorreram cinco reuniões e quatro rodadas de negociação, marcadas pela intenção do sindicato patronal em condicionar avanços à flexibilização de direitos já consagrados dos professores

Campanha Salarial 2012

Foto: Igor Sperotto

Foto: Igor Sperotto

A estabilidade da economia brasileira, melhor distribuição de renda, mais emprego, crescimento da classe média, reajuste das anuidades, em média, 50% acima da inflação, são os argumentos dos professores para justificar a reivindicação por aumento real de salário (3%) e dos pisos salariais. “Os representantes patronais reconhecem este cenário, mas insistem em condicionar o aumento real de salários à flexibilização de direitos, garantindo saldo zero na folha de pagamento 2012”, expõe Amarildo Cenci, diretor do Sinpro/RS.

Até o fechamento desta edição do Extra Classe, os sindicatos já tinham realizado quatro reuniões de negociação em câmaras setoriais distintas, Educação Básica e Superior. Para acordo, o Sinepe/RS propôs a reposição da inflação nos salários e a manutenção da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

“O processo de negociação chegou numa encruzilhada, com o Sinepe trabalhando na lógica de cortar direitos e os professores convictos da possibilidade de que se conceda aumento real aos salários neste ano”, avalia Cenci.

Nova Rodada de negociação acontecerá no dia 10 de abril, em Porto Alegre.

Campanha Salarial 2012

Foto: Igor Sperotto

Foto: Igor Sperotto

EDUCAÇÃO BÁSICA – A comissão do Sinepe/RS sinalizou desde o início que avanços seriam estudados a partir da redução de direitos. Na última reunião, propôs 5% de aumento real nos pisos da categoria (3% em abril mais 1,94% em janeiro de 2013); 1% de aumento real para Educação Infantil e anos iniciais; 0,5% de aumento real para Ensino Fundamental (anos finais), Ensino Médio, profissionalizante e cursos livres. Esses itens, no entanto, estão condicionados a perdas como: retirada do adicional de 3% por aprimoramento acadêmico (Educação Infantil e anos iniciais); compensação de feriados-ponte por sábados; retirada do aviso prévio proporcional ao tempo de serviço (compensando o mesmo no recesso escolar); não pagamento de sábados no caso de rescisão e indisponibilidade de sábados na proporção de dois por um. “Essa proposta não corresponde ao momento atual das instituições e os professores precisam ser valorizados”, destaca Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS.

EDUCAÇÃO SUPERIOR – A direção do Sinpro/RS acusa os representantes da PUCRS, Unisinos, Feevale, Univates e UCS, todas instituições comunitárias ligadas ao Comung de liderarem o coro da flexibilização de direitos como moeda de troca para o aumento real de salário. No dia 2 de abril, os sindicatos dos professores e funcionários publicaram um Apedido no jornal Zero Hora(página 23 – editoria Geral), denunciando a diferença entre o reajuste das anuidades (em média 9%) e a proposta de reajuste (5.47%). “Valorizar os seus trabalhadores deveria ser uma das prioridades das IES comunitárias. A maioria fez uma previsão de reajuste salarial dos professores para justificar o reajuste das anuidades, num percentual bem acima do que está propondo agora”, afirma Cenci. No dia seguinte, o jornal Zero Hora repercutiu o aumento das anuidades superior à inflação de 2011, identificadas em levantamento realizado pela Fetee/Sul e em pesquisa do Centro de Estudo e Pesquisas Econômicas (Iepe/Ufrgs).
“O irônico é que a Fapa, de Porto Alegre, já concedeu 7% de aumento para seus professores. Realmente tem algo errado na política das comunitárias”, compara o dirigente do Sinpro/RS.

REPOSIÇÃO DA INFLAÇÃO – Segundo levantamento do Sinpro/RS, várias instituições de ensino já pagaram os salários de março com pelo menos a reposição da inflação.

CAMPANHA SALARIAL – A mobilização dos professores pode ser acompanhada na internet. O blogwww.deolhonoensinoprivado.org.br é a central de conteúdos. A página do Sinpro/RS no Facebook traz informações atualizadas das reuniões de negociação e conteúdos debatidos; e no Twitter, o Sindicato compartilha conteúdos e as contradições do ensino privado.

O site do Sinpro/RS publica informações atualizadas, materiais da campanha e acesso às redes sociais.

 

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