Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 165 | Ano 17 | Jul 2012
ESPECIAL
CORPORAÇÕES

Por Roberto Villar Belmonte

Pedro Ivo Batista, um dos coordenadores da Cúpula dos Povos, lembra que desde a Rio 92 muitos acordos e tratados positivos foram firmados. Porém falta vontade política para implementá- los. Para ele, a economia verde é uma solução de mercado para tentar superar a atual crise econômica. Não opinião do ambientalista e ex-dirigente sindical da CUT, “é preciso criar um órgão mundial de meio ambiente forte, com recursos, poder político e um sistema de participação mais democrático, que possa inclusive regular o mercado. Quem precisa de liberdade são os seres humanos”.

os seres humanos”. A posição da Cúpula dos Povos contra a economia verde, explica Lúcia Ortiz, da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais e do Amigos da Terra Brasil, foi definida a partir da experiência de movimentos que já vinham sendo assediados por instrumentos do mercado de carbono, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, criado pelo Protocolo de Kyoto. “Antes de isso ser chamado de economia verde já existia um processo de denúncia e resistência a essas falsas soluções. Também somos contra o Pagamento por Serviços Ambientais”, ressalta.

O sistema das Nações Unidas, que acaba de introduzir formalmente a economia verde na agenda dos governos, está sendo desvirtuado pelas corporações, protesta Lúcia Ortiz, que participa de uma campanha internacional para tentar reverter esta situação. “Estamos lutando paraacabar com o lobby excessivo do setor privado e as parcerias imorais da ONU com empresas para que se crie de fato um sistema legal de denúncia e controle social das corporações. Esperamos uma resposta até o fim do ano”, informa a coordenadora dos Amigos da Terra Brasil.

“O problema não é a ONU, são os países que continuam pensando dentro de suas caixinhas”, opina Paulo Adário, coordenador das campanhas do Greenpeace na Amazônia. Para ele, “a economia verde deveria ser aquela que gera emprego, renda e desenvolvimento, mas que tem a proteção ambiental como eixo fundamental”. O Greenpeace nunca foi anticapitalista. Na Rio 92, a principal ação deles, de grande repercussão, foi a divulgação de um relatório inédito sobre maquiagem verde de grandes empresas. Na Rio+20, defenderam o desmatamento zero na Amazônia.

Já os índios presentes na Cúpula dos Povos, com apoio de entidades estrangeiras como a Amazon Watch, protestaram fortemente contra os impactos sociais e ambientais da usina hidroelétrica de Belo Monte. Diversas ONGs socioambientais, que foram minoria na Cúpula dos Povos, entre elas a SOS Mata Atlântica, vista por João Pedro Stédile como uma entidade de “burgueses reformistas”, realizaram um concorrido evento com o objetivo de reorganizar a luta contra o afrouxamento das regras do Código Florestal, ainda em discussão no Congresso Nacional.

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