Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 166 | Ano 17 | Ago 2012
ELISA LUCINDA

Por Elisa Lucinda

Elisa Lucinda

Ilustração: Ricardo Machado

Ilustração: Ricardo Machado

Uma menina vestida de anjo das festas
de coração de antigamente
pergunta ao vento:
“Mãe, por que você morreu?”
dói tudo dentro do cetim
da roupa de menina.
Sem a fotossíntese da voz da mãe.
Sem o sol dela.

Envelhece a menina rápido por dentro.
“Mãe, por que Deus não combinou comigo
não me perguntou se eu queria
se eu deixava Ele te levar?
“Por que esse abuso de autoridade
do Criador?”

Aqui estou eu no mundo
sem seu zelo e suas perguntas.
Estou sem ti sem bem estar.
Ser e estar é umbilical.
Pela primeira vez entendo isso,
pela primeira vez entendo tudo.
Ah, se a professora tivesse me
explicado quando eu perguntei
o que era verbo de ligação.
Eu não seria talvez
Esse objeto direto lançado ao mundo.
Para, a, ante, após, com, contra, de, desde.
Ah, destino, quisera ser hoje apenas
a preposição em.
Que quer dizer dentro.

Saudades, mãe.
Mãe é sujeito.
Sujeito a chuvas e trovoadas fortes.
Mãe é sujeito à morte.

 

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