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Nº 168 | Ano 17 | Out 2012
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Vânia Melchionna Franke*

Transtorno de Déficit de Atenção-Hiperatividade (TDAH) ou Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) apresentam comportamentos que caracterizam uma maneira própria de ser e estar no mundo, marcada pela agitação, pela impulsividade e pela dispersão. De acordo com a psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa da Silva, autora de Mentes Inquietas – TDAH (Ed. Objetiva, 2009), o cérebro TDAH funciona de forma peculiar. Os portadores têm dificuldades de autocontrole, de comportamento, de relacionamento e de rendimento escolar ou de aprendizagem, mas também são pessoas espontâneas e criativas.

Conviver com crianças e adolescentes TDAH e promover seu crescimento saudável e sua aprendizagem é um grande desafio para os professores. Exigem uma atenção diferenciada, pois sua forma de ver, sentir e interagir com o mundo é marcada pela intensidade. Para ilustrar, uma analogia: o cérebro de uma pessoa comum funciona a 80 quilômetros por hora, enquanto o do TDAH vai a 200 quilômetros por hora.
Sendo um transtorno de desenvolvimento, uma das dificuldades a ser enfrentada pelos professores e profissionais que se propõem a acompanhar portadores de TDAH é realizar um diagnóstico diferencial mais preciso de comportamento em relação ao que é esperado para a faixa etária. Assim, quanto menor a criança, mais difícil identificar o TDAH, pois até a fase escolar todas elas estão em processo de desenvolvimento do autocontrole.

Embora não exista “cura definitiva” para esse transtorno, a melhor maneira de enfrentá−lo é a associação cuidadosa e criteriosa de medicação, psicoterapia e treinamento social, que pode contribuir para uma vida produtiva e saudável, em que o potencial criativo e afetivo do portador de TDAH se desenvolva. É necessário que os adultos responsáveis pela educação e cuidado dessas crianças e adolescentes tenham disposição para ver suas potencialidades e respeitar seus limites, para construir vínculos saudáveis de apoio e cooperação com essa pessoa e com sua família. Devemos ver a criança e não a síndrome.

No processo ensino-aprendizagem, é preciso buscar recursos didáticos novos e investir na relação com a família, o que exige disposição do professor para fazer sua parte do processo, para se questionar e ter a coragem de ousar, criando novos paradigmas de relacionamento e de trabalho educacional.

*Psicóloga, especialista em Psicologia Social (PUCRS) e professora universitária de 1983 a 1991.

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