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Nº 171 | Ano 18 | Mar 2013
FRAGA

Por Fraga

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Nunca renunciar de barriga vazia. Todos têm direito a três refeições diárias, do feijão com arroz ao fast-food, da receita própria ao ticket-restaurante. Sem o mínimo de calorias/dia ninguém consegue ir atrás de coisas irrenunciáveis.

Não renunciar quando todos estão renunciando. Nesse caso, seria uma decisão unânime e como toda unanimidade é burra (já alertava Nelson Rodrigues), a burrice acabaria multiplicada

Não renunciar hoje se se pode renunciar amanhã. Se a renúncia for evitada no dia de hoje, será impossível que o dia seguinte traga algum arrependimento por você ter renunciado.

E se o amanhã trouxer chance de algum arrependimento por não ter renunciado, deixe pra se arrepender no dia depois de amanhã.

E assim por diante.

Jamais renunciar em dia de sol, céu limpo, nublado ou chuvoso.

Tirando essas condições meteorológicas, a renúncia é livre.

Não renunciar antes de dormir ou depois de acordar. Antes de dormir você tem mais é que aproveitar o que ainda não aproveitou. E após acordar, lembre-se que há mais aproveitável pela frente.

Não renunciar enquanto não acertar na megassena. Há muito ficou provado, ao longo dos sorteios, que nenhum renunciante faturou os milhões que os não renunciantes faturaram.

Não renunciar de livre espontaneidade. Quem é livre e espontâneo tem muito a que não renunciar. Se mesmo assim renuncia, ah, você não é livre e muito menos espontâneo.

Não renunciar contra a vontade. Defenda-se com a má-vontade.

Nunca renunciar em pé, sentado, deitado, curvado, de lado, agachado, de bruços, ajoelhado etc. A única posição que combina com renúncia é de quatro. E quem já anda assim, não vai fazer diferença se renuncia ou não.

Não renunciar no país que nasceu nem no estrangeiro. Se a pátria lhe exigir isso, peça asilo lá fora; se no exterior lhe forçarem a isso, force pra ser expatriado pra qualquer lugar.

Não renunciar nem que a vaca tussa. Problemas pulmonares do rebanho bovino nacional não podem influir, de jeito nenhum, no seu foro íntimo. O caso é de xarope veterinário.

Não renunciar se solteiro, casado, divorciado, amasiado, desquitado, em união estável, união homoafetiva ou tico-tico no fubá. A menos que seja renúncia de uma dessas situações em troca de outra. Pra isso se vive.

Jamais renunciar se estiver demasiado indeciso ou por demais decidido. Errar ao extremo é insano.

Não renunciar por dinheiro nenhum. É quando se paga mais caro.

Não renunciar qualquer que seja o regime. Se ditadores cruéis, governantes medíocres e políticos corruptos não renunciam, permaneça no seu cargo vitalício – cidadão teimoso.

Nunca renunciar enquanto houver saúde, tesão, ânimo, lucidez. Mesmo porque, é redundância se antecipar: um dia, a saúde, o tesão, o ânimo e a lucidez finalmente renunciarão a nós.

Problema deles!

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