Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 172 | Ano 18 | Abr 2013
ENSINO PRIVADO
CÂMERAS

O Sinpro/RS encaminha neste mês de abril ao Ministério Público do Trabalho (MPT) denúncia de instituições de ensino que mantêm câmeras de vigilância nas salas de aula, sala de professores e laboratórios. Duas escolas já foram identificadas e outras estão sendo verificadas.

“Somos contrários à utilização destes equipamentos no espaço de ensino e de convivência dos professores pelo seu caráter invasivo e de afronta à liberdade pedagógica dos professores”, afirma Marcos Fuhr, diretor do Sinpro/RS. “As câmeras são um instrumento de vigilância sobre o trabalho do professor, inibem o desempenho dos docentes e representam uma pedagogia da desconfiança”.

Com relação às escolas de Educação Infantil, o Sindicato está encaminhando o assunto ao Ministério Público Estadual, face à avaliação dos riscos de exposição das imagens das crianças, captadas e veiculadas na internet. “O Sinpro/RS não tem restrições ao uso de câmeras nas áreas externas e de circulação no interior das instituições”, destaca Fuhr.

PROFESSORES – Pesquisa realizada pelo Sinpro/RS com os professores em todo o estado, 76% disseram estar acompanhando as notícias veiculadas na imprensa sobre a instalação de câmeras em salas de aula, 82% são contrários a esse tipo de vigilância e 81% afirmaram ter conhecimento de outros estabelecimentos que adotaram esse tipo de equipamento nas salas de aula.

ARTIGO 
Vigilância dos professores e estudantes em sala de aula

A vigilância nas instituições privadas de ensino volta à tona pelo relato de professores e veículos de comunicação. As câmeras de vigilância, mecanismos que visam a preservação patrimonial e monitoramento de locais de grande circulação, agora, chegam à sala de aula.

A implementação dessa política de vigilância sinaliza a dificuldade que as escolas têm em construir um planejamento que contemple a solução de eventuais conflitos, a aquisição do conhecimento com base no argumento qualificado, no respeito mútuo e no exercício da solidariedade.

Para o Sindicato dos Professores, a educação é um processo a ser internalizado e não imposto pela instalação de câmeras de vigilância, que limita a espontaneidade do ambiente educacional e representa um procedimento ostensivo do poder diretivo do empregador, que tem como único objetivo vigiar professores e alunos.

Ao inserir esse modo de controle sobre o trabalho do professor e sobre a atuação dos alunos a instituição de ensino busca, fundamentalmente, regular as ações do ambiente que está vigiando para fiscalizar tudo que ali ocorre.

As exigências cada vez maiores sobre a atuação dos professores dentro e fora de sala de aula estão a clamar por mais apoio e confiança das direções de escolas e não pela utilização de mecanismos coercitivos à atuação docente.

O Sinpro/RS manifesta sua firme oposição ao uso desses mecanismos de vigilância por considerar que as instituições que os utilizam pretendem ampliar o controle das ações docentes, agora de forma acintosa e descontextualizada.

O Sindicato dos Professores não medirá esforços para a reversão dessa iniciativa, denunciando à sociedade e ao poder público o equívoco desse invasivo procedimento e convoca os professores a apoiarem as iniciativas propostas pelo Sinpro/RS contra essa afronta ao espaço/tempo do processo de aprendizagem.

Direção Colegiada

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