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Nº 175 | Ano 18 | Jul 2013
FRAGA

Por Fraga

Fraga

Ilustração: Rafael Sica

Ilustração: Rafael Sica

Uma coisa as manifestações já provaram: os cidadãos brasileiros andam muito mais politizados que nossos políticos.

O pior que pode acontecer é o que geralmente acontece.

Sê como o vândalo, que deixa fedendo o machado que o serve. Acreditem ou não: a verdade é que na Idade da Pedra havia pouquíssimas depredações.

Ocorre de tudo na vida. Mas o que mais ocorre é boletim de ocorrência.

Bendito o mar: sua onda de violência morre na praia, ao contrário da onda nas ruas, que mata no seco.

Ônibus e vans queimados por turbas em praça pública – eis o consciente coletivo.

Protestar é muito saudável.
Vejam a saúde dos cartórios de protestos.

Já que os partidos não se mexem,
o movimento apartidário sacudiu o país.

Quer ver o que é bom pra tosse? Invente de não desviar dos cassetetes às suas costas.

Digam o que disserem dos bêbados que bebem de tudo, mas nunca ninguém viu um deles com coquetel molotov na mão.

Bombas de efeito moral – essas sempre desmoralizam o ar.

No meio do cerco dos policiais é assim: se ficar, o cassetete come; se fugir, a bala de borracha pega.

A diferença entre um ato de baderneiro e uma ação pacifista são estilhaços e labaredas no local.

A insatisfação no país com os governantes só não é maior porque a estatura do brasileiro é mediana.

Atire a primeira pedra aquele que nunca protestou por melhorias no curso de geologia.

Patrimônio público.
Resiste mais ao vandalismo que ao abandono oficial.

Segundo o batalhão de choque, dá mais prazer bater em manifestantes do que bater em retirada.

Verás que um filho teu não foge à luta e, além dele, avistarás muitos outros massacrados.

Ao avaliar a situação nas ruas, a mídia é como um PM mal preparado: atira pra todo lado.

O problema da democracia, um regime de representação, é os eleitos representarem demais.

Nada mais mobilizador que a liberdade de expressão.
Por isso paus, pedras, fogo e bala se tornaram tão expressivos.

A esperança é a última que morre, e a primeira a ser mal-interpretada nas manchetes dos jornalões.

2013 já entrou para a história: o ano em que a História foi escrita em faixas e cartazes.

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