Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 175 | Ano 18 | Jul 2013
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Carlos Pinent*

Neste espaço, no nº 173, maio de 2013, foi publicado um artigo do prof. Marcelo Frizon com o título: Levar a sério o Enem? Penso que a resposta é inequívoca: sim! Não há como não o levar a sério.

O novo Enem insere-se numa realidade internacional, um exame nacional para avaliação do ensino médio (ou o equivalente) e ingresso na universidade. Em dezembro de 2011, a Revista Veja (nº 51, 21/12/11), uma das mais críticas ao governo federal, publicou, em Edição Especial, uma reportagem de 14 páginas sobre a educação na China, país com espetacular crescimento. O objetivo não era criticar nossa educação, mas compará-la com a chinesa e, implicitamente, mostrá-la como exemplo. A China também tem um exame nacional único para ingresso no ensino superior. Os Estados Unidos têm um imenso banco de dados capaz de permitir vários “enens” por ano. Quase todos os países do Ocidente têm exames nacionais há bastante tempo.

O Enem, neste curto espaço de quatro anos, ganhou credibilidade crescente, haja vista que a cada ano mais IES o adotam como critério único para ingresso (não se pode argumentar que elas sofrem pressões, as IES têm autonomia). A UFMG, a segunda maior do país, anunciou recentemente o Enem como único critério de ingresso. Outras instituições o aplicam parcialmente. Em nosso estado, para a Ufrgs ainda é facultativo, mas suspeito que em pouco tempo, alguns anos talvez, será via de ingresso exclusiva. A Ufrgs não poderá continuar por muito tempo com um sistema do século passado, que já teve seu tempo.

Um dos argumentos do prof. Frizon, para desacreditar o Enem, são os vazamentos e problemas ocorridos nessas quatro edições. Porém, estes são não significativos, casos pontuais, cuja importância está na contribuição que eles dão ao aprimoramento constante do Enem. O Enem é um processo. Considere-se, ainda, que num exame aplicado a 5,5 milhões de candidatos são de se esperar alguns problemas. Mas as falhas não podem servir de pretexto para se tentar desacreditar o Enem (a própria Ufrgs, de ilibada história, teve que retificar a questão 49 de matemática no último vestibular (2013). O governo federal tem trabalhado fortemente em aperfeiçoar uma avaliação séria, consequente e necessária do ensino médio no país, que é responsável pela democratização do acesso às universidades. Todo mundo concorda que nosso ensino está longe de um nível satisfatório mínimo e todos estão de acordo que políticas educacionais devem ser tomadas e constantemente aprimoradas. O Enem é uma iniciativa fundamental no processo de aprimoramento da educação brasileira.

* Professor aposentado, doutor em Educação.

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