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Nº 180 | Ano 18 | Dez 2013
WEISSHEIMER
MARCO WEISSHEIMER

Marco Weissheimer

Cenários iniciais para a eleição de 2014 no RS

Ilustração: Ricardo Machado

Ilustração: Ricardo Machado

Até o final do ano, os principais partidos políticos do Rio Grande do Sul realizam reuniões e promovem conversas visando a definição de candidaturas e de alianças para as eleições de 2014. Embora ainda não tenha oficializado sua candidatura, a tendência é que o governador do estado, Tarso Genro (PT), dispute a reeleição. Caso se confirme sua candidatura, Tarso Genro tentará vencer um tabu: até hoje, o eleitorado do Rio Grande do Sul não reelegeu nenhum governador (ou governadora). A disputa promete ser muito acirrada e complexa, tendo em vista as diferentes possibilidades de composição misturando os planos federal e estadual.

No momento, o PT aguarda a definição do PDT para ter uma ideia mais clara da composição de forças que poderá ter na disputa de 2014. Há duas alas em disputa entre os trabalhistas: uma que defende a candidatura própria ao governo do estado (seria o deputado federal Vieira da Cunha) e outra que defende o apoio à reeleição de Tarso Genro, ficando o partido com a vice na chapa. Há ainda, entre os que querem candidatura própria, aqueles que defendem outro nome que não o de Vieira da Cunha. O partido realizou 38 reuniões regionais no estado para ouvir as lideranças municipais sobre o posicionamento para as eleições de 2014. Para o Senado, o partido deverá confirmar o nome do jornalista Lasier Martins como candidato. Mas Lasier seria um dos adversários mais ferrenhos de uma aliança com o PT. Segundo ex-colegas seus, o ex- -colunista da RBS teria inclusive colocado como condição para sua candidatura o rompimento do PDT com o PT no Rio Grande do Sul.

Ana Amélia e José Ivo Sartori: dois nomes fortes da oposição
Faltando cerca de um ano para a eleição é prematuro falar de tendências e favoritismos. Mas está praticamente certo que Tarso Genro enfrentará dois nomes fortes: José Ivo Sartori e Ana Amélia Lemos. O ex-prefeito de Caxias do Sul deverá ser o candidato do PMDB ao governo do estado. Assim como o PT, o PMDB também conversa com o PDT sobre a possibilidade de uma aliança. O caso do PMDB é um pouco mais complexo, pois, em nível nacional, o partido integra o governo Dilma e a tendência é que permaneça com a vice na chapa que vai disputar a reeleição nacional em 2014. Um setor do PMDB gaúcho gostaria de apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB) ou de Eduardo Campos (PSB), mas essa posição é, no momento, minoritária em nível nacional. O deputado federal, Eliseu Padilha, está entre os peemedebistas que defendem a manutenção do apoio e da participação no governo Dilma.

A senadora Ana Amélia Lemos (outra ex-jornalista do grupo RBS) será a candidata do partido ao governo do estado. O PP realizará seu congresso estadual nos dias 11 e 12 de abril de 2014. O partido aposta na forte estrutura que tem no interior do estado para impulsionar a candidatura de Ana Amélia: ao todo, são 136 prefeitos, 115 vice-prefeitos e 1.168 vereadores. O PP espera contar com o apoio do PSB nesta empreitada e, em troca, emprestaria o palanque de sua candidata para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que deve disputar a eleição nacional. O deputado federal Beto Albuquerque seria, neste caso, o candidato ao Senado. Entre os principais partidos do estado, esta é, no momento, a única perspectiva de aliança do PP.

Yeda pode ser candidata de novo?
Entre os atuais aliados do governo Tarso Genro, a tendência é que PCdoB e PTB apoiem a campanha à reeleição. No dia 13 de novembro, o PCdoB realizou sua Conferência Estadual que elegeu a deputada federal Manuela D’Ávila presidente do partido no Rio Grande do Sul para os próximos dois anos. Além de eleger a nova direção, o partido aclamou a pré-candidatura de Emília Fernandes ao Senado. Manuela será candidata a uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Partido que governou o estado com Yeda Crusius, antes de Tarso Genro, o PSDB vive um quadro de indefinições. Em princípio deve ter candidatura própria ao governo do estado, mas o partido ainda não fechou questão sobre esse tema. Sem outros nomes fortes para disputar o Piratini, alternativa seria lançar Yeda mais uma vez. Mas o nome da ex-governadora enfrenta resistências internas, agravadas por conflitos internos. No momento, prioridade do partido parece ser construir palanque no Rio Grande do Sul para a candidatura de Aécio Neves à presidência da República.

Governo Tarso aposta no desempenho da economia
Para a sua reeleição, o governo Tarso aposta, entre outras coisas, na manutenção dos bons indicadores da economia gaúcha, que vem crescendo acima da média nacional em 2013. O PIB gaúcho deverá fechar 2013 em torno de 6%, mais que o dobro do nacional. No segundo trimestre, enquanto a média brasileira apontou um crescimento de 3,3%, a economia gaúcha cresceu mais de 15%. O acumulado no primeiro semestre chegou a 8,9%, de acordo com a Fundação de Economia e Estatística (FEE), índice superior aos 2,6% registrado para o conjunto de regiões do Brasil. O valor exportado do ano alcançou a cifra de US$ 17,5 bilhões, um aumento de 28,6%, o terceiro estado em exportação. A safra gaúcha bateu recordes este ano e a indústria cresceu 6,1%, o maior crescimento segundo pesquisa do IBGE, enquanto a média brasileira situa-se em 1,6%.

Se esses indicadores mantiverem essa tendência em 2014, a oposição não terá vida fácil para encontrar um discurso em defesa de um novo modelo de desenvolvimento para o estado.

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