Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 184 | Ano 19 | Jun 2014
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Luciana Hoppe*

Os desafios para lecionar no ensino superior são muitos. Alunos que trabalham o dia inteiro e que chegam cansados em sala de aula, no meu ponto de vista, representam uma das maiores dificuldades enfrentadas por um docente que leciona na universidade. Como resolver esse problema? Tenho adotado estratégias que se mostram positivas, depois de vencidas algumas barreiras iniciais, como jogos e dinâmicas em sala de aula, com foco no desenvolvimento de competências. São práticas que despertam o interesse dos alunos e os deixam mais motivados e engajados nas disciplinas, um novo e eficiente caminho na educação de adultos.

Com base em questões originárias da Neuroaprendizagem, os jogos vêm há muito tempo sendo utilizados na educação de crianças, que através do universo lúdico experimentam outras situações, com a segurança que um jogo permite. Com adultos – como no caso da educação superior, essa realidade também se aplica. Através de dinâmicas é possível desinibir, gerar um ambiente mais leve e propício para o conhecimento, melhorar relacionamentos e,  principalmente, gerar um aprendizado com significado –  o que é mais eficiente e duradouro.

Os adultos, diferentemente das crianças, demoram um pouco mais para entrar no universo da brincadeira. Por isso, a escolha das práticas deve ser feita com muito cuidado, sempre levando em conta os objetivos educacionais que se pretende atingir, bem como as habilidades e competências que se busca desenvolver. Cuidado especial em, obviamente, não infantilizar o jogo, torna a aceitação destas práticas mais efetivas.

Quando pensamos em jogos, logo nos vêm à mente as expressões “ganhar” e “perder”. No começo do semestre letivo, procuro adotar essas práticas mais conhecidas, gerando campeões. Os alunos, notadamente, têm um espírito competitivo evidente, e com essa abordagem se sentem mais tranquilos para ingressar no mundo do brincar.  Posteriormente, procuro adotar práticas de jogos cooperativos, em que todos “ganham” ou “perdem” – e aí gera-se uma mudança de paradigma, de comportamento – e logo, novas habilidades e competências são desenvolvidas. No mundo competitivo em que vivemos, cooperar acaba sendo um verbo esquecido e que precisa ser retomado. Somos seres sociais, que nos organizamos em grupo. Cooperar é importante, necessário, prioritário.

Além disso, adoto práticas que buscam estabelecer foco, memória e atenção, já no início da aula, o que proporciona melhor rendimento e eficiência na assimilação dos conteúdos trabalhados, deixando o cansaço e a preocupação do dia de trabalho longe da sala de aula.

*Coordenadora e professora nos cursos de Marketing e de Eventos no UniLasalle Canoas e de Marketing da FTEC-NH. Consultora na SIM! Planejamento e Pesquisa.

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