Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 185 | Ano 19 | Jul 2014
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Sara Zinger*

A inclusão social ganhou destaque nos últimos 50 anos com a formação de leis e políticas que atendam às pessoas com necessidades especiais. Foram criados mecanismos de participação e controle social, programas, projetos e ações que indicam um movimento de transformações positivas. A inclusão no mercado de trabalho também evoluiu, com a Lei das Cotas – algumas empresas devem contratar de 2% a 5% de funcionários com deficiência. Esta determinação contribuiu para o exercício do direito ao trabalho digno e aplicação do princípio da isonomia.

Os avanços nos âmbitos de mercado de trabalho e políticas públicas acontecem e, mesmo que ainda seja necessária a melhoria na fiscalização do cumprimento destas leis, a existência delas já é uma vitória. Não é raro vermos pessoas com deficiência em cenas do cotidiano e no trabalho em supermercados, no transporte público e em instituições de ensino. No entanto, quantas vezes já vimos amigos de pessoas com deficiência realizando atividades de lazer e programas típicos de sua faixa etária?

A socialização da pessoa com deficiência ainda está muito aquém daquilo desejado por ela mesma e por sua família. Os círculos sociais normalmente são restritos aos colegas de colégio, quando em idade escolar, e à família. E como ficam os jovens e adultos após a conclusão do período de estudos ou quando não frequentam nenhuma instituição de ensino? A busca pela socialização e inclusão em um grupo não deve ser deixada para segundo plano. Ela é de extrema importância para uma vida plena. Além disso, o contato com os pares e os momentos de distância da família trazem a felicidade, aumento da autoestima e a independização da pessoa com deficiência.

Essa inclusão em um círculo social é um desafio que não será resolvido com determinações vindas do governo, mas, sim, com uma atitude que deve partir da sociedade. São as pessoas que convivem com deficientes que devem estimular e proporcionar encontros com seus pares. São as famílias que devem incitar os momentos de autonomia e de independização e, principalmente, a sociedade que deve aceitar essa postura como parte do cotidiano e preparar-se para dar apoio, quando necessário. Somente assim teremos uma inclusão mais abrangente e pessoas mais completas.

*Professora especializada em socialização de jovens e adultos com deficiência. Diretora do Clube Social Pertence.

 

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