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Nº 186 | Ano 19 | Ago 2014
EDITORIAL

Nem só os fatos gritam

Foto: Al Jazeera/divulgação

Foto: Al Jazeera/divulgação

O mais intenso bombardeio de Israel sobre Gaza, desde o início da ofensiva iniciada em 8 de julho, resultou em 110 mortos em um só dia. Isso ocorreu no dia 29 de julho, data de fechamento desta edição do Extra Classe. Já somam 1,1 mil mortos desde o começo dos ataques. Um terço é crianças e a maioria é civil. Os dados são da ONU.

O ataque veio logo depois do pedido de cessar fogo da ONU e um dia após o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, prevenir a população de que a ofensiva seria prolongada.

O canal de notícias americano NBC noticiou que Israel realizou 76 ataques entre a noite da segunda-feira, 28, e a manhã da terça-feira, 29. Um porto, um campo de refugiados, quatro mesquitas e a casa do líder do Hamas foram atingidos. Segundo o Exército israelense, armas estavam escondidas nas mesquitas.

Conforme dados da ONU, moradores de 40% de Gaza receberam alerta para que deixassem suas casas. Ao todo, 182.604 pessoas (10% da população da Faixa) já estão refugiados em 82 abrigos da Unwra. Do lado israelense, as mortes também aumentaram, com dez soldados mortos nas mesmas 24 horas, um total de 53 militares desde o início do conflito, ao lado de dois civis e um tailandês.

Disparos de um tanque israelense também atingiram o depósito de combustível da única usina de energia da Faixa de Gaza, interrompendo o suprimento de eletricidade para a Cidade de Gaza e várias outras partes do enclave palestino de 1,8 milhão de habitantes. Israel iniciou sua ofensiva militar alegando ter como objetivo deter os ataques de foguetes por parte do movimento dominante Hamas e outros grupos armados. Dez dias depois, enviou forças terrestres com o objetivo declarado de destruir os túneis construídos pelo Hamas na fronteira.

O premiê afirmou que a operação não terá fim enquanto todos os túneis usados pelo Hamas em Gaza não forem “neutralizados”. “Temos de nos preparar para uma operação que ainda vai levar tempo”. Enquanto isso, a máquina de guerra segue tilintando as registradoras mundo afora. Basta seguir o dinheiro e saberemos quem ganha com a instabilidade na região. A reação de Israel a qualquer interferência externa, a exemplo do que ocorreu com o Brasil, mostra que o conflito não será pacificado sem interferência da comunidade internacional, anões diplomáticos inclusos, já que os principais atores são incapazes de cessar a violência contra civis.

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