Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 187 | Ano 19 | Set 2014
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Duda Falcão*

Nos últimos anos, a literatura fantástica no Brasil conquistou terreno. Esse é um fenômeno que se dá não só em função da própria literatura, mas também da pro­dução cinematográfica e dos quadrinhos estrangeiros. A partir do momento em que obras literárias como O Senhor dos Anéis e Harry Potter ganharam as telas do cinema, multidões fica­ram ávidas por conhecer mais e mais esses universos. O contato do público com uma literatura de caráter maravilhoso que extrapola o real e que contém temáticas voltadas para a construção de mun­dos, nos quais habitam criaturas fantásticas e seres que dominam a magia, permite abrir espaços para a produção de novas narrativas e, assim, novos autores.

É bem verdade que Star Wars, concebido na década de 1970, já tinha todas essas características ficcionais. A diferença é que a famosa obra de George Lucas surgiu antes da popularização da in­ternet. Hoje as redes sociais, os blogs e os eventos especializados em literatura fantástica são os grandes responsáveis pela dissemi­nação do gênero que vem se formatando desde o final do século 18 na Europa. Vale esclarecer que a delimitação do gênero é suscetí­vel a muitas análises teóricas. Assumiremos aqui que a literatura fantástica, no momento atual, abarca a produção de textos voltados para o horror, a fantasia e a ficção científica, ou seja, quase tudo que não estaria no âmbito de uma literatura realista.

Para sintonizar com essa produção literária, eu, Christopher Kastensmidt e Cesar Alcázar idealizamos a Odisseia de Literatu­ra Fantástica. Já estamos na terceira edição do evento que costuma acontecer em abril na capital gaúcha. Neste ano, fomos premiados com o troféu Amigo do Livro pela Câmara Rio-Grandense do Li­vro, fato que aumenta nosso compromisso com a sociedade. Entre os nossos objetivos, destacamos a divulgação de autores e editoras na­cionais que trabalham com o gênero fantástico e, consequentemente, o que consideramos de profunda relevância: o incentivo à leitura.

Nesse sentido, incentivar a leitura é divulgar os autores brasi­leiros que trabalham com o gênero e discutir em mesas de bate-pa­pos, com a presença dos leitores, as temáticas desenvolvidas pelos escritores da área. Eventos que promovam o debate e a criativida­de das pessoas, seja em relação a obras literárias, cinematográficas, teatrais ou plásticas, são fundamentais para o crescimento dos su­jeitos. Desse modo, a leitura e a discussão em torno da produção atual nos insere em um processo de construção e de crítica que possibilita enxergar através do fantástico e, a partir das metáforas, o mundo real e a sociedade em que vivemos.

Escritor, editor da Argonautas Editora, professor graduado em História, especialista em Literatura Brasileira e Mestre em Educação. É um dos idealizadores da Odisseia de Literatura Fantástica e foi um dos curadores do Tu Frankenstein 2, na Feira do Livro de Porto Alegre em 2013. http://dudaescritor.wordpress.com

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