Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 188 | Ano 19 | OUT 2014
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Gabriel Grabowski*

No dia 15 de outubro celebramos o Dia do Professor e esta data nos remete a múltiplas reflexões sobre a docência nos tempos atuais. Devido à desvalorização social e pro­fissional, têm preponderado análises críticas em detri­mento das reflexões sobre o valor da docência. Em homenagem aos colegas que dedicam a vida ou grande parte dela a essa prática, destaco a importância fundamental desse trabalho para o presente e futuro de nossas sociedades.

Se nossa existência precisa ser produzida pelos próprios ho­mens pelo processo de trabalho, isso significa que o homem não nasce homem. Ele forma-se homem. Ele não nasce sabendo pro­duzir-se como homem. Ele necessita aprender a ser homem, preci­sa aprender a produzir sua própria existência. Portanto, a produção do homem é, ao mesmo tempo, a formação do homem, isto é, o processo educativo. A origem da educação coincide, então, com a origem do homem mesmo.

As sociedades e seus respectivos governantes que não tiverem clareza do valor da educação e dos educadores comprometem o futu­ro destas mesmas sociedades. E, apesar de um discurso retórico que apresenta a educação como uma prioridade fundamental, na prática, tanto a educação como a escola e os profissionais que trabalham na docência nunca foram valorizados, nem pelo Estado brasileiro, muito menos pela elite dirigente, que, inclusive, induziu a sociedade a não lutar por formação, pois escravos, índios, camponeses, operários e trabalhadores não precisariam estudar e este direito lhes foi negado.

Além da desvalorização social da educação e da precarização da carreira docente, o desinteresse pela profissão docente é, também, potencializado por um discurso midiático e por pesquisas tenden­ciosas que destacam e valorizam em demasia profissões vinculadas ao mercado e a ganhos financeiros imediatos, em detrimento do trabalho na esfera social no geral e na educação em específico.

Uma das marcas dos tempos atuais é o império da informação em detrimento do conhecimento, da sabedoria, da vida. As con­sequências de uma formação baseada na informação estão aí para comprovar o aumento da violência, da intolerância, do preconceito, do individualismo e do narcisismo.

O grande valor da educação e dos educadores consiste em desenvolvermos a inteligência e a sabedoria humana. A educação deve partir das informações, construir sujeitos com conhecimento e discernimento, mas deve, acima de tudo, desenvolver a sabedoria.

Como disse Moacyr Scliar: nós não nascemos sábios, não nas­cemos com esta compreensão; temos de adquiri-la através da vida, e isso se faz mediante conhecimento, mas também graças ao insight, o “conhece-te a ti mesmo”, de Sócrates. Sabedoria é agir bem, resolven­do os problemas de forma eficaz, mas de forma ética, decente.

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