Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 190 | Ano 19 | Dez 2014
PALAVRA DE PROFESSOR

José Carlos Sturza de Moraes*

Enquanto pais e mães, temos que ensinar nossas crianças a lidar com a frustração. Na escola, desde a educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, isso é muito claro. Inclusive porque ensinamos valores da vida em sociedade, noções de bem comum e respeito ao outro. Lidar com a frustração, com o não atendimento imediato de um desejo, com o adiamento de um momento prazeroso, é lidar com limites (físicos, psíquicos, etários, éticos e morais).

A indisciplina escolar, algumas vezes, tem a ver com a dificuldade de estudantes em lidarem com limites. Não tem origem apenas na falta de boa educação familiar. Diz respeito a contextos familiares, produções midiáticas, exaltação de valores sociais nem tão promotores de ética e respeito, como discriminações variadas. Tem origem na falência da palavra, do diálogo, dentro de casa, dentro de escolas e em outros espaços.

A escola não pode ser responsável sozinha pela tarefa de educar, estabelecer limites e sanções. Existem outros serviços e profissionais que precisam ser acionados e ser parceiros da tarefa educativa. Até porque, muitas vezes, a má conduta na escola é sintoma de violências sofridas por estudantes em casa, e dentro da própria escola, como bullying, homofobia, discriminação racial ou religiosa. Especialmente, Assistência Social, Saúde e Conselhos Tutelares precisam ser parceiros da escola para tratar dessas questões quando extrapolam o âmbito pedagógico. Em situações mais graves, Ministério Público e Poder Judiciário também precisam fazer sua parte.

Além disso, na construção de regras escolares é importante lembrar que escola é sinônimo de comunidade escolar. Não só nós, professores, as devemos construir e atualizar. A indisciplina escolar pode ser trabalhada e canalizada para processos positivos de participação. Em Lajeado, por exemplo, há um projeto de lideranças muito interessante.

Precisamos pensar em como realizar a escolha de representantes de turmas, no estímulo à existência de grêmios e outros espaços de livre expressão de estudantes. Refletir no quanto estamos abertos a questionamentos sobre nossos critérios de avaliação e nossas formas de resolução de conflitos.

Cientista Social – especialista em Ética e Educação em Direitos Humanos, coordenador do Projeto Protagonismo de Crianças e Adolescentes (Amencar) e conselheiro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedica).

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