Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 191 | Ano 20 | Mar 2015
EDITORIAL

Se nas guerras a primeira vítima é sempre a verdade, o bombardeio sistemático dos meios de comunicação à Petrobras, nos últimos meses, muitas vezes com notícias apressadas, baseadas mais em declarações do que na devida comprovação, vem fulminando os negócios, a credibilidade e o valor das ações da estatal, além de atingir seus 86 mil trabalhadores. As denúncias sobre pagamentos de propina e crimes envolvendo servidores da companhia, políticos e empreiteiras não podem ser negadas, mas investigadas com rigor, sejam quais forem as consequências, os partidos políticos e os governos atingidos – considerando que o esquema já tem registros na década de 1980, vide Prêmio Esso de Jornalismo de Ricardo Boechat e denúncias de Paulo Francis nos anos 1990, culminando com sua morte em 1997, em decorrência do processo movido contra ele justamente por conta desse tema.

Para além do jogo político envolvendo as investigações, há grandes interesses econômicos e geopolíticos envolvidos. Um indicativo da dimensão desses interesses pode ser o fato de a corrupção na estatal ter emergido justamente quando começa a se consolidar a exploração das reservas do pré-sal. Para a Federação Única dos Petroleiros, estaria em curso “uma campanha visando a desmoralização da Petrobras, com reflexos diretos sobre o setor de Óleo e Gás, responsável por investimentos de grandes empresas em todo o país”.
Considerando que as implicações políticas e econômicas dos recursos do pré-sal extrapolam o território nacional e envolvem toda a América Latina, fica fácil entender que seria um grande negócio para os interesses privados nacionais e estrangeiros uma estratégia de imobilizar, depreciar e depois capturar a Petrobras.

Adicionar aos favoritos o permalink.
© Copyright 2014, Jornal Extra Classe - Todos os direitos reservados.

Os comentários estão encerrados.