Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 193 | Ano 20 | Mai 2015
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Osvaldo Biz*

Pesadas acusações são feitas a muitos dos nossos políticos que se aproveitam do cargo para aumentar sua conta bancária através do dinheiro público. Mas poderíamos questionar a nossa responsabilidade quando escolhemos como nossos representantes homens e mulheres que não têm nenhum compromisso com a ética na política, aceitam subornos, praticam irregularidades e, pior, acabam eleitos e reeleitos. No Congresso Nacional existem muitos políticos comprometidos com os destinos do país. A ideia que a política é coisa suja, que não se deve discutir, nem votar, uma vez que todos os nossos representantes são iguais é um raciocínio tão profundo como uma poça de água.

O filósofo Aristóteles afirma no livro Política que é evidente que a cidade participe das coisas da natureza: “Que o homem é um animal político, que deve viver em sociedade, e aquele que deixa de participar da cidade é um ser que tem pouco valor e o que não consegue viver em sociedade, que não necessita de nada porque se basta a si mesmo, não participa do Estado, é um ser bruto, ou seja, uma pessoa violenta”.

Se para Aristóteles o homem de bem era aquele que participava da política, hoje, prevalece a imagem oposta: “Ele é um homem de bem, nunca se meteu em política”. Os cidadãos não são somente vítimas do sistema, mas causadores de muitas desordens pelas escolhas que fazem nas eleições. Hoje, é muito comum falar em deficientes cívicos, ou seja, os que não têm coragem de escolher um candidato que merece respeito pelo seu trabalho desenvolvido. Reclamar, organizar-se, exigir mudanças, nos ajuda a viver como sujeitos sociais e políticos. Abandonar a ideia de que não adianta lutar. Eduardo Galeano pergunta: “Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

O que milhares de eleitores paulistanos ganharam, na eleição para vereador em 1959, quando, em sinal de protesto, votaram num animal, o Cacareco? Há uma crise nos partidos e novos surgem todos os anos. No momento são mais de 30. Muitos deles não conseguem eleger um único candidato e acabam apoiando outros partidos, no aguardo de futuros cargos. Mudar de governo não significa mudar o poder. José Saramago, Nobel de Literatura, pergunta: ”Quantos se interessam por questões de ordem política autêntica? Quem se interessa pela cidade, pelo espaço que pertence a todos”. É muito importante lembrar que a atividade política não termina com o processo eleitoral. Cabe a cada um de nós fiscalizar a administração e cobrar o que prometeram.

* Doutor em Comunicação Social

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