Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 194 | Ano 20 | Jun 2015
PALAVRA DE PROFESSOR

Eduardo Jablonski*

Às vezes, tenho impressão (provavelmente equivocada) de que todas as normas, leis ou determinações desenvolvidas pelos coordenadores ou diretores de empresas, escolas ou faculdades e do governo são feitas para dificultar o trabalho dos colaboradores, docentes e cidadãos. Há poucos dias, numa escola estadual, chamaram-se os educadores para divulgar a novidade da Secretaria de Educação: a partir deste mês, está proibido reprovar alunos de terceiro ano de ensino médio na rede pública. É evidente que não nos foi apresentado dessa forma, porém com uma roupagem profissional e bem-organizada.

A ideia é mais ou menos o seguinte: as escolas terminam 2014 com os trâmites normais, conselhos de classe e recuperações. Se o pobrezinho não conseguir aprovação, dá-se uma nova chance em dezembro. Se o coitadinho também não obtiver uma nota aceitável, volta-se a proporcionar-lhe uma nova oportunidadezinha em fevereiro, antes do começo do ano letivo de 2015. Mas, se ele ainda assim ficar abaixo da média, outra recuperação é feita em março, e depois em abril, em maio, em junho, em julho, em agosto, até ele ser aprovado. O que não pode é reprová-lo.

Qual a justificativa da norma genial? Os pedagogos que a inventaram não entram em sala de aula há anos (ou talvez nunca fizeram isso) e não têm noção de como os adolescentes se comportam? Pois vou contar uma novidade para eles: os jovenzinhos não querem estudar, fazer exercícios, ler, nada. O máximo é conferir e responder às mensagenzinhas no Facebook ou no whats, e nada além disso. Claro que existem milagrosas exceções. Mas como eles vão agir quando souberem que a reprovação não existe mais? Eu suspeito; os pedagogos não? Como vai a onda, a educação é um teatro ou talvez um circo. Cria-se todo um cenário para fazer de conta que estamos dando aula. Os alunos nem se esforçam para fingir que estão aprendendo.

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