Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 196| Ano 20 | Ago 2015
WEISSHEIMER
COLUNISTA

Nas últimas semanas, o noticiário da imprensa brasileira parece sinalizar uma confluência entre as crises econômica e política, aumentando a sensação de instabilidade no cenário político. Aos desdobramentos das denúncias da Operação Lava-Jato e à tentativa de envolver o ex-presidente Lula nestas denúncias, somaram-se notícias sobre os efeitos negativos da política de ajuste fiscal sobre indicadores como emprego, PIB e inflação. Além disso, várias categorias de trabalhadores, dos setores público e privado, intensificam mobilizações e organizam greves contra essa política e seus derivados.

Em um artigo intitulado Todos contra o governo e o governo contra si mesmo, Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, resumiu do seguinte modo o que aguarda o governo Dilma nos meses de agosto e setembro: “Em agosto, as manifestações contra o governo voltarão às ruas, aumentando o cenário de incertezas. Se forem significativas e massivas, o quadro político deverá se deteriorar e a pressão pelo impeachment ganhará força. Setembro promete ser um mês fatal para o governo: devem confluir manifestações de rua, dissídios salariais e greves, julgamento no Tribunal Superior Eleitoral da ação movida pelo PSDB, possível decisão do TCU sobre a aprovação ou rejeição das contas de 2014 e agravamento da crise da Lava-Jato por conta do indiciamento de políticos”.

Contra esse cenário pessimista, o governo prepara uma ofensiva para tentar sair das cordas e retomar a ofensiva política. Em reuniões realizadas no final de julho, o núcleo político do governo preparou uma agenda de atividades populares para entrar em operação já no início de agosto, com objetivo de dar uma guinada nos índices negativos da presidente diante da população.

Dilma fará viagens, anunciará programas e reforçará marcas populares do primeiro mandato. Além disso, pretende conversar com os movimentos sociais próximos ao PT, se reunirá com os governadores e retomará as atividades do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). A pesquisa CNT/MDA divulgada dia 21 de julho colocou mais lenha na fogueira da instabilidade política que cerca o governo. Segundo o levantamento, a avaliação positiva do governo Dilma Rousseff caiu para 7,7%. A avaliação negativa passou de 64,8%, em março, para 70,9% no levantamento realizado entre os dias 12 e 16 de julho.

Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 137 municípios. A última pesquisa, divulgada em março, tinha mostrado que 10,8% das pessoas ouvidas consideraram positiva a avaliação do governo. Com o atual resultado, o governo teve a menor avaliação positiva registrada pela pesquisa desde outubro de 1999, quando o desempenho do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso foi aprovado por 8%.

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