Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 200 | Ano 20 | Dez 2015
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Betha Medeiros*

Sou mestre em Artes Cênicas e leciono, há 20 anos, Teatro, Educação Física e Informática na Escola Especial Edu­candário São João Batista, no bairro Ipanema em Porto Alegre.

Meus alunos são crianças e adolescentes com necessidades especiais e, em sua grande maioria, cadeirantes que se ressentem de não conseguirem passear tanto quanto gostariam. De conhe­cer a cidade onde vivem além do caminho rotineiro: de casa para escola, clínica, hospital e de volta para casa.

Em 2011, ao trabalharmos Temas Geradores nas aulas de Informática, muitos deles afirmaram que ter de ficar em casa e deixar de se divertir por falta de acessibilidade era o que mais os incomodava. Um deles disse uma frase que ilustra bem o proble­ma de toda pessoa com dificuldade de locomoção: “Pra nós, uma simples escada pode se transformar em um muro”.

Hoje em dia, o número de ônibus adaptados aumentou, mas não o suficiente, pois as empresas de transporte alegam ter con­dições de carregar apenas um cadeirante por vez, fazendo com que o segundo cadeirante tenha de esperar pelo próximo ônibus adaptado, o que faz com que ele, em muitos casos, perca atendi­mento de saúde, aula, trabalho ou mesmo a vontade de passear.

Sem falarmos nas demais dificuldades: portas estreitas de edifícios, inalcançáveis por terem, na sua fachada, longas e inter­mináveis escadas; elevadores que não funcionam; banheiros não adaptados; falta de rampa na beira das calçadas, impossibilitando o trânsito de cadeiras; orelhões, contâineres de lixo e carros esta­cionados nas calçadas já tão esburacadas, atrapalhando a passagem de deficientes visuais, cadeirantes, idosos, carrinhos de bebê etc.

Pensando nisso, criamos durante as aulas o Mapa da Aces­sibilidade que visava, de forma colaborativa, mostrar os lugares onde havia e os onde não havia acessibilidade, em Porto Alegre.

Atualmente, o nosso Mapa está sendo transformado em aplicativo para celulares e tablets. Com ele, vai haver a possibili­dade de programar deslocamentos sabendo, antecipadamente, os locais com acessibilidade, assegurando a todos os cidadãos o que diz a Constituição Brasileira: o simples e tão difícil, para meus alunos, direito de ir e vir.

Resumindo, como eu e meus alunos cantamos no Rap da Aces­sibilidade, (https://www.youtube.com/watch?v=CPD6O6qhxa0), cria­do para divulgar o Mapa da Acessibilidade: “O que nós queremos? Ônibus, prédios, calçadas, cinemas, praças, teatros, estádios de fute­bol, banheiros… Nossa cidade com A CES SI BI LI DA DE!

* Mestre em Artes Cênicas pela Ufrgs, atriz e professora de Educação Física e Teatro do Centro de Reabilitação da Escola Especial Educandário São João Batista (Porto Alegre).

Marcado .Adicionar aos favoritos o permalink.
© Copyright 2014, Jornal Extra Classe - Todos os direitos reservados.

Os comentários estão encerrados.


CONTEÚDOS RELACIONADOS