Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 201 | Ano 21 | Mar 2016
FRAGA

Puizé, tá confirmado o que Einstein adiantou: o universo é mesmo um dial temporal. Logo vamos sintonizar épocas passadas, quando o antanho ain­da engatinhava. Dê o que der para captar do ontem, vai dar pra rir ou chorar da única espécie que sem­pre apronta o pior para si própria.

Não tenho curiosidade retroativa, as barbaridades atuais me bastam, só o porvir inesperado me atiça.

No ar, constrangimento prévio: que vergonhas alheias terão de nós as audiências futuras? Quantas gar­galhadas às nossas custas, através das ondas gravitacionais retransmi­tidas desde aqui, dos nossos escan­dalosos e vergonhosos tempos?

Me refiro, sobretudo, ao canal brasileiro retroprojetado.

Ao invés do nem quero saber, prefiro torcer para que haja progra­madores imaginativos, que se espe­cializem em jogar nossas merdas no gigantesco ventilador intereste­lar. Em telões nas empenas dos ar­ranha-céus, de volta pro futuro um big brother gravitacional do tragi­cômico período que vivemos agora.

Marolas gravitacionais

Ilustração: Sica

Ilustração: Sica

Como será que vão classificar as cenas com Bolsonaros e Cunhas, Ca­lheiros e Sarneys? Serão divertidas sessões da tarde ou programas tipo mundo animal? E sequências da ditadura brasileira talvez as­sombrem madrugadas em 2116. Mas vai que, em meio a insuspeita paz universal, considerem que nem vale a pena ver de novo.

Pode ser que as ondas gravitacionais com fla­shes de nossos desastres ambientais soem como alerta num mundo menos desas­trado. Pode ser que pareçam ma­rolas num planeta quase extinto.

Quanto à poderosa corrupção nacional, vai exigir salto tecno­lógico nos transmissores: só um tsunami gravitacional poderá tele­transmitir tantos putabites de me­gaimagens corruptivas.

Argh. Chega de imaginar por­carias reprisadas.

Que bom que as ondas gravita­cionais foram recém-descobertas; por enquanto estamos livres de contemplar nosso refluxo digital, longe dum repentino sucesso trash.

Outros Lulus Santos e Nelsons Mottas terão que recriar as ver­sões futuristas do nada do que foi será o que já foi um dia. Talvez seja, talvez tudo se repita, apesar das reprises. Brrr.

Sábio Einstein. Desligou suas antenas antes de darem ok pra sua antevisão.

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