Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 206 | Ano 21 | AGO 2016
EDITORIAL

Neste agosto – mês historicamente marcado por golpes e acontecimentos dramáticos no país –, em que o Senado Federal julga o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Extra Classe alerta sobre a estratégia de esvaziamento do Judiciário trabalhista, articulada desde 2015 com a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA). A peça orçamentária teve relatoria do então deputado federal e atual ministro da Saúde, Ricardo Barros, que declarou à época ter “alergia à Justiça do Trabalho”. Com isso, justificou cortes de 90% do orçamento para investimentos e um quarto das verbas de custeio dessa instância judicial. Sem recursos, os tribunais regionais enfrentam cortes e racionamento em todo o país. No Rio Grande do Sul, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) reduziu o expediente e dispõe de recursos para funcionar até o final deste ano. Na reportagem especial desta edição, advogados, promotores e magistrados avaliam essa situação de crise que ameaça retirar o palco das negociações trabalhistas e impõe “o negociado sobre o legislado”.

Na entrevista do mês, o jornalista norte-americano Robert Whitaker expõe a lógica de contradições e interesses da bilionária indústria farmacêutica de drogas psiquiátricas dos Estados Unidos, que, com a conivência de boa parte da classe médica, aposta na dependência e não na cura – uma lógica disseminada em nível mundial. Ganhador do Pulitzer de 2010 com seu livro Anatomy of an Epidemic, Whitaker realizou uma série de reportagens para o jornal norte-americano The Boston Globe. A investigação aponta que pesquisas sobre a utilização de medicamentos psiquiátricos apresentam resultados que não condizem com a lógica de que doenças como depressão, ansiedade e esquizofrenia seriam causadas por desequilíbrios químicos no cérebro e poderiam ser corrigidas por novas drogas. “A indústria farmacêutica quer convencer as pessoas que é melhor viver com drogas, pois isso constrói grandes mercados para seus medicamentos”, afirma ele com exclusividade ao Extra Classe.

A aceitação pela Justiça da denúncia contra dois indiciados pelo assassinato de Eduardo Fösch representa justiça e restabelecimento da memória do jovem, morto aos 17 anos, em abril de 2013, durante uma festa em um condomínio de luxo da Zona Sul de Porto Alegre. Por duas vezes, a investigação esteve para ser encerrada alegando ter sido um acidente, mas, por pressão da família e do Ministério Público, ficou comprovado o crime, que deve ir a júri popular.

A inclusão de alunos com deficiência é um desafio que precisa ser enfrentado por grande parte das instituições de ensino privado do Estado, que deixam de cumprir os requisitos legais, como estrutura, pessoal de apoio e investimentos em qualificação docente, o que está provocando sobrecarga de trabalho e frustração aos professores. Além de matéria nesta edição, a inclusão escolar será tema de debate no Sinpro/RS a partir de Parecer sobre as dificuldades enfrentadas pelos professores.

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