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Nº 223 | Ano 23 | MAI 2018
FRAGA
COLUNISTA

Arte: Rafael Sica

Arte: Rafael Sica

“Os brasileiros se dividem entre insones e impunes, os primeiros por causa dos segundos.” (Fraga, em 2010)

Aconteceu: a Impunidade no Brasil cresceu tanto que vai ser oficializada. É o único jeito de dar sustentação legal à bagunça brasileira, dizem os idealizadores.

Quem são eles? Pelas articulações na surdina, tudo rola sob os tapetes
palacianos e por baixo dos panos da base aliada. De alto a baixo nos escalões, desde Brasília aos cafundós e confins.

Enfim, qualquer brasileiro pode ter dado o pontapé inicial no projeto, somos ótimos em pontapés. Ninguém tá livre de ser impune, todos são suspeitos de querer se proteger.

Então, é fácil especular como seria (ou, na hipótese de nem ser hipótese, como será) ou, horror! horror! como já é.

O plano é uma entidade para atender direito aos impunes. Tipo um Tudo Fácil. Só que mais fácil, muito mais rápido e superpoderoso. O impune vai a um posto onde nem senhas há, direto ao guichê e em segundos sai com comprovante de inocência. Se tiver dossiê contra ele, aí pode demorar minutos, talvez 10 ou 15.

De posse do doc, poderá apresentar sua defesa em quaisquer julgamentos, se é que chegará a algum tribunal. É a Impunidade estabelecida e  reconhecida como forma de organização social, como meio de vida e modo de expressão política.

Como os impunes já devem ser maioria da população, capaz do IBGE incluir os impunes no próximo censo, como categoria. O que habilita o grupo a constituir associação de classe, e daí vir a ter direitos como plano saúde, férias, 13º – a depender de quem os contrate para falcatruas, maracutaias e outros golpes. Carteirinha de identidade para impunes!

E, como associados, deverão pagar mensalidade da impunidade, com direito de pagar com moeda de origem criminosa, talvez já descontada no ato da contravenção.

As vantagens do Ministério da Impunidade são evidentes: a arrecadação aumentará. E calculem o número de funcionários da nova autarquia. Impunes poderão atuar como concursados, e dos concursos poderão participar inclusive pessoas já punidas. Quer dizer, fim das panelinhas.

O prédio do Ministério da Impunidade será erguido a partir de licitação entre empreiteiras punidas e não punidas, o que atesta a lisura da gigantesca obra.

Calma, Brasil, a impunidade tem um limite: não pode exceder a população do país. (Fraga, em 2016)

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