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11/12/2017
MOVIMENTO
REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Os agricultores em greve de fome contra a reforma da Previdência retornam à Câmara dos Deputados. Imprensa silencia sobre manifestação
Por Marcelo Menna Barreto

Foto: Adilvane Spezia/MPA

Manifestação dos trabalhadores rurais ocorre no Salão Verde da Câmara Federal

Foto: Adilvane Spezia/MPA

Completa nesta segunda-feira, 11, sete dias da Greve de Fome contra a reforma da Previdência iniciada por três dirigentes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Após ficarem dois dias na sede da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os grevistas voltaram hoje em maior número para a Câmara dos Deputados em Brasília.

No domingo, 10, o presidente Michel Temer (PMDB) manifestou à imprensa a decisão do governo de aprovar a reforma na Câmara dos Deputados nos próximos dias, contabilizando votos do PMDB, PTB, PPS e articulações com o PP, PSD e PRD. “Confio que até o dia 18 teremos os votos necessários para que seja colocado em votação”, afirmou.

Somaram-se aos três grevistas doordenação do MPA –  Josi Costa, do Piauí, Leila Denise, de Rondônia, e o frei Sérgio Görgen, do Rio Grande do Sul –, o bombeiro civil e integrante do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) Fábio Tinga, Simoneide de Jesus, também do MPA, e Rosangela Piovizani e Rosa Jobi do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). O médico gaúcho Ronald Wolff, que está integrando a equipe de apoio ao movimento grevista, destacou hoje em coletiva que “alguns já apresentam um estado de saúde preocupante”.

SILÊNCIO – Por volta das 13 horas de hoje, os manifestantes chegaram a interromper uma entrada ao vivo da repórter Andreia Sadi, da Globonews, para reclamar a não cobertura do movimento pela chamada grande imprensa. “Estamos há sete dias em greve de fome”, chegou dizer o frei franciscano Sérgio Görgen no microfone da repórter. Logo após, estenderam uma longa faixa atrás da jornalista destacando o movimento grevista.

Reforçando a resistência e as ações contra a Reforma da Previdência, as organizações, que integram a Frente Brasil Popular, estão chamando diversas ações a partir de hoje, 11 de dezembro, em todo País. “Convocamos todas as organizações do campo e da cidade para resistirem a Reforma, também para somarem forças nas ações em todos os Estados, para que possamos barrar a Reforma da Previdência. É hora de tomarmos medidas de sacrifício, mas que serão necessárias para garantir os nossos direitos e em especial para nossas gerações futuras, temos que dar mais um passo para esmagar a Reforma da Previdência em seu ninho golpista”, afirma Maria Kazé, da coordenação nacional do MPA.

ADESÃO – Na última quinta-feira, dia 7, após coletiva de imprensa, os agricultores em greve de fome se dirigiram para a sede da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) para melhor preparar a estrutura do movimento que dizem deve ser levado até as últimas consequências.

No último sábado, dia 9, na própria sede da Fenaj, um ato ecumênico em solidariedade ao ato do MPA foi realizado com a convocação do Conselho Nacional das Igreja Cristãs (Conic), da Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) e a Justiça, Paz, Integridade da Criação da Comissão dos Religiosos Brasileiros (CRB), organismo que representam as mais variadas congregações religiosas da Igreja Católica no Brasil. Foi nesta ocasião que o bombeiro Fábio Tinga aderiu ao movimento por 72 horas.

Na cidade de Canguçu, Rio Grande do Sul,  somaram-se à greve de fome Celis Madrid (SIMCA) e Lucas Pinheiro, Rosane Amaral e Marlei Sell (do MPA).

MOVIMENTO – A greve de fome que iniciou no último dia 5 de dezembro com os coordenadores nacionais do MPA é, conforme nota do movimento, um ato extremo que tem o objetivo de que alguns poucos se privem de alimentação em protesto para que no futuro outros brasileiros não venham a passar fome. Em coletiva realizada hoje no retorno à Câmara dos Deputados, lideranças do MPA destacaram que está sendo orientado também que sejam organizados jejuns em todas as Assembleias Legislativas Estaduais e Câmaras de Vereadores dos estados como forma de pressionar os deputados na Câmara Federal e em suas regiões de origem, para que votem contra a aprovação da Reforma da Previdência.

O Movimento dos Pequenos Agricultores é um movimento camponês, autônomo e constituído por grupos de famílias. Seu principal objetivo é a produção de comida saudável para as próprias famílias e também para todo a sociedade. Além disso, busca o resgate da identidade e da cultura camponesa, respeitando as diversidades regionais. O MPA integra a Via Campesina, articulação internacional de movimentos camponeses e atualmente está organizado em 17 estados do Brasil.

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