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26/04/2018
ENSINO PRIVADO

Líder em educação superior no Brasil, a organização consolidou sua expansão na educação básica, ao anunciar, nesta semana, a compra do controle da Somos Educação e um negócio de R$ 4,6 bilhões
Por Flávia Bemfica

Foto: Pexels/Banco de Imagem

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A Kroton Educacional deve anunciar em breve sua próxima aquisição no segmento de escolas da educação básica, o que vem mantendo a expectativa entre instituições da área da educação. Na última segunda-feira, 23, a Kroton, que já é líder em educação superior no Brasil, consolidou sua expansão na educação básica, ao anunciar a compra do controle da Somos Educação, da Tarpon Gestora de Recursos, em um negócio de R$ 4,6 bilhões, o maior da história deste nível de ensino no país.

No mesmo evento em que informou a compra, a Kroton adiantou que há outras duas aquisições em andamento, no segmento de escolas que o grupo denomina de ‘premium’. Uma delas já está assinada e deve ser conhecida em breve. Neste mês de abril, antes da Somos, a Kroton já havia informado a compra do colégio Leonardo da Vinci, no Espírito Santo.

Os movimentos em direção à educação básica, altamente pulverizada, se intensificaram após, em junho do ano passado, a Kroton ver o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) barrar a aquisição que ela tentou fazer da Estácio Participações. O Cade entendeu que os remédios apresentados pelas empresas para consolidar a fusão não resolviam os potenciais impactos concorrenciais identificados pela união das duas maiores instituições privadas da educação superior do país. Na modalidade de ensino à distância (EaD), por exemplo, a fusão permitiria que a Kroton aumentasse sua participação de 37% para 46%.

Pouco depois, em outubro, em uma apresentação feita a investidores e disponibilizada em comunicado ao mercado, a Kroton apresentou um portfólio de potenciais aquisições na educação básica integrado por 16 instituições. A companhia destacou que seu foco seriam os maiores grupos educacionais, apontando que só os 10 maiores possuíam 72 mil alunos.

Nesta semana, no anúncio sobre a nova aquisição, a empresa confirmou a estratégia de expansão ‘horizontal’, destacando que o controle da Somos faz parte de seu planejamento para se colocar em um ‘mercado’ que movimentou R$ 101 bilhões no país no ano passado e que é 83% maior do que o ‘mercado de graduação’, que, em 2017, movimentou R$ 55 bilhões.

No comunicado que acompanhou a divulgação da operação, a Kroton informou que, ao finalizar a transação, passará a contar com 37 mil alunos em escolas próprias e 25 mil em cursos de idiomas. Eles se somam aos cerca de 1,1 milhão de estudantes da educação superior em marcas do grupo. A compra da Somos foi efetuada através da holding Saber, a subsidiária de educação básica da empresa que possuía duas escolas próprias. A Somos tem outras 42.

No ano passado a Kroton obteve receita líquida de R$ 5,5 bilhões e lucro líquido de R$ 1,9 bilhão. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 2,1 bilhões, um resultado 6,4% superior ao inicialmente estimado pela companhia. A Somos teve no ano passado receita líquida de R$ 1,8 bilhão e lucro líquido ajustado de R$ 169,4 milhões. A compra da Somos precisará ser aprovada pelo Cade.

Chegada no mercado das editoras

Mais do que uma expansão significativa em direção à educação básica, a aquisição do controle da Somos marca o ingresso pesado da Kroton no mercado editorial, de livros didáticos e nos segmentos denominados de soluções em aprendizagem e plataformas estudantis avaliativas no Brasil. Conforme os números apresentados no anúncio do negócio, ele permitirá, por exemplo, que o grupo alcance 33 milhões de estudantes usuários de livros didáticos.

Pertencem à Somos as editoras Ática, Scipione, Saraiva/Atual e Érica. A Ática e a Scipione se intitulam líderes no mercado de livros didáticos e paradidáticos no país já que, juntas, detêm um portfólio de aproximadamente dois mil títulos, entre obras pedagógicas, de literatura infantil e juvenil, dicionários e atlas.

A Saraiva foi adquirida pela Somos em 2015. Presente no mercado editorial brasileiro desde 1917, é referência em produção de conteúdo para Educação Básica, preparatórios, Técnicos e Superior, além de líder na área Jurídica. A Érica é o braço da Somos direcionado a produção de conteúdo para Educação Técnica, Tecnóloga e Profissional e programas de aprendizagem.

Graças as suas marcas, a Somos está na 32ª posição entre as maiores editoras do mundo na edição de 2017 do Global Ranking of the Publishing Industry. O ranking lista as 50 companhias com receitas acima de 150 milhões de euros. No Brasil, além dela, a única outra a integrar a lista do ano passado é a FTD, em 49º lugar.

Durante o evento de anúncio da compra nesta semana, a direção da Kroton admitiu que vinha mantendo conversações com o grupo editorial espanhol Santillana que, no Brasil, é proprietário da editora Moderna. Mas ressalvou que o prosseguimento das tratativas se tornou inviável a partir da aquisição da Somos porque, agora, a companhia se torna um player importante no mercado de editoras e a continuidade das negociações com o Santillana poderia indicar sobreposição. Em outras palavras, isso significa que concretizar o negócio para a aquisição da Moderna provavelmente esbarraria em novas indicações de concentração de mercado.

AS MARCAS
A Kroton é dona das marcas Anhanguera, Pitágoras, Pitágoras Colégios, Universidade Norte do Paraná (Unopar), Universidade de Cuiabá (Unic), Faculdade de Macapá (Fama), LFG, Universidade Anhanguera-Uniderp, União Metropolitana de Educação e Cultura (Unime) e Leonardo da Vinci.

A Somos Educação, antiga Abril Educação, se autointitulava o maior grupo de Educação Básica do país. Ela detém as marcas Sigma, Anglo, pH, Maxi, Chave do Saber, Motivo, Integrado, Red Ballon e AlfaCon. Além disso, é proprietária das editoras Ática, Scipione, Saraiva/Atual e Érica e dos selos Caramelo, Formato e Benvirá.

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