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19/04/2018
JUSTIÇA

Após acareação entre peritos, Justiça determina exame de DNA de tênis da vítima antes de decidir se encaminha julgamento por júri popular
Por Gilson Camargo
Morte de adolescente em 2013 permanece sem solução. Familiares sustentam que ele foi agredido em condomínio na zona Sul de Porto Alegre

Foto: Igor Sperotto

Morte de adolescente em 2013 permanece sem solução. Familiares sustentam que ele foi agredido em condomínio na zona Sul de Porto Alegre

Foto: Igor Sperotto

Após a confrontação dos depoimentos dos médicos criminalistas Marcos Rovinski, contratado pela defesa e que atestou morte “acidental” de Eduardo Fösch por hemorragia encefálica em decorrência de traumatismo craniano, e Celso Danckwardt, contratado pela família da vítima e que sustenta que há indícios de que o jovem foi espancado e morreu em decorrência de agressões e não de uma queda, a Justiça determinou a realização de uma perícia em manchas de sangue nos tênis que o jovem usava no momento em que sofreu os ferimentos.

Eduardo Fösch morreu em maio de 2013, após permanecer por nove dias em coma em decorrência de ferimentos na cabeça, sofridos durante uma festa em um condomínio de casas na zona sul da capital gaúcha. Os interrogatórios buscam esclarecer se o jovem sofreu uma queda acidental ou foi espancado por seguranças do residencial.

O exame de DNA foi determinado pelo juiz Felipe Keunecke de Oliveira, titular da 2ª Vara do Júri de Porto Alegre, após a acareação dos peritos, feita em audiência no dia 29 de março. Em seu laudo, Danckwadt sustenta que as marcas de sangue no calçado são um forte indício de que Eduardo teria sido atingido quando ainda estava consciente e em pé, o que desconstitui a versão de acidente dada pela polícia. O caso sofreu diversas manobras e ao menos duas tentativas de arquivamento, mas partir do resultado da perícia contratada pela família, o processo foi reaberto pelo Ministério Público. A partir do detalhe relatado pelo perito, o juiz decidiu solicitar a nova perícia, o que, segundo ele “poderá confirmar se o sangue é da vítima ou de outra pessoa, o que poderá determinar a existência de um fato novo e novos rumos no processo”.

Ainda de acordo com Oliveira, após essa diligência os dois réus do caso deverão ser intimados para novos interrogatórios, o que encerra a primeira fase do processo. Em seguida, o juiz deve se pronunciar sobre o encaminhamento do caso para júri popular com base nas provas existentes. “Estamos confiantes que haverá a pronúncia para a realização de júri popular”, afirma a advogada Lesliey Gonsáles, assistente de acusação.

O Ministério Público denunciou o segurança do condomínio Isaías de Miranda por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, meio cruel e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e o policial civil e supervisor de segurança do residencial, Luís Fernando Souza de Souza. De acordo com a Promotoria, ele determinou a limpeza do local em que a vítima foi encontrada e apagou as gravações das câmeras de monitoramento, impedindo o acesso a todas as provas. Souza foi denunciado por fraude processual. A denúncia contra ambos foi aceita no início de junho de 2016 pela Justiça, mais de três anos após o crime.

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