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01/05/2018
MOVIMENTO

Trabalhadores lotaram a Praça Santos Andrade, no centro da capital paranaense, nesta terça, 1º de Maio, em ato convocado pelas sete centrais sindicais
Por Matheus Chaparini

Foto: Matheus Chaparini

Foto: Matheus Chaparini

Desde a prisão de Lula, no dia 7 de abril, uma vigília diária se mantém junto à superintendência da Policia Federal, em Curitiba. A mobilização contribuiu com a união de forças de diversos movimentos sociais, culminando no primeiro Ato Unificado do Dia do Trabalhador, desde a redemocratização do Brasil, em torno do slogan Por Direitos, pela Democracia e por Lula Livre.

Milhares de trabalhadores lotaram a Praça Santos Andrade, no centro da capital paranaense. A manifestação foi convocada pelas sete maiores centrais sindicais – CUT, ComLutas, CTB, Intersindical, Nova Central, UGT e, até mesmo, a Força Sindical, liderada nacionalmente pelo ‘Paulinho da Força’, que apoiou o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Desde o início da manhã, trabalhadores de diversas partes do país começaram a chegar ao local. O aquecimento ficou por conta do grupo posicionado nas escadarias da Universidade Federal do Paraná. Além de faixas dos partidos presentes – PT, PCO e Psol – uma outra fazia referencia à “República de Curitiba”, mencionada por Lula em um dos áudios vazados pela Lava Jato à imprensa, mas com uma parodia. Junto à faixa com os dizeres República Socialista de Curitiba, os militantes cantavam: “Ei, Michel Temer, a parada é a seguinte, você sai, o Lula volta para fazer constituinte”

O discurso sustentado pelo Partido dos Trabalhadores, de que mesmo preso Lula é o candidato, repercute forte na militância. No ato, era difícil encontrar quem cogitasse a possibilidade de um outro candidato à esquerda ou de especular sobre uma eleição sem a participação do ex-presidente. “Não tem plano B, primeiro turno é Lula do PT”, cantava o grupo. O juiz Sergio Moro é outro alvo constante das músicas e gritos de guerra entoados em Curitiba ao longo destes vinte e cinco dias de mobilização. A tradicional cantiga infantil “Boi da cara preta” ganhou uma versão em que a rima sugere devolver “ao capeta” o juiz da primeira instância da Justiça do Paraná.

Foto: Matheus Chaparini

Foto: Matheus Chaparini


Na programação cultural, a sambista Beth Carvalho, as cantoras Ana Cañas e Maria Gadú e o cantor Flávio Renegado. Porém, mais do que nunca, o foco do Dia do Trabalhador era mais a luta do que a celebração.

A professora Jane Becker veio a Curitiba com a caravana de Joinville. “É o dia do trabalhador, não do trabalho, como os capitalistas insistem em colocar. Especialmente hoje, aqui em Curitiba é um dia de luta, em defesa da liberdade, da democracia e da classe trabalhadora.” Jane é professora de Português, leciona na rede municipal, estadual e privada. Com três empregos, ela acredita que, com a reforma trabalhista, a tendência é que se tenha que trabalhar cada vez mais para garantir o sustento.

Com menor envolvimento com a militância, o professor Marcos Aparecido do Nascimento, veio do município de Tarabai, no interior de São Paulo, convencido de que o momento político pede mobilização.

“Todo mundo que luta por democracia e que quer um país melhor, com menos desigualdade de renda tem que estar aqui hoje. A minha presença aqui, de alguma maneira, está ajudando nesta luta.”

Centrais argentinas trazem apoio internacional

Foto: Matheus Chaparini

Foto: Matheus Chaparini

Enquanto a ex-presidenta Dilma Rousseff discursava no primeiro de maio em Buenos Aires (Argentina), em Curitiba, além da reunião das sete centrais sindicais brasileiras, o Dia do Trabalhador trouxe três centrais sindicais argentinas. Para o secretario geral da CGT Argentina (Confederación General del Trabajo), Juan Carlos Schmid, o momento político brasileiro impacta em toda a região e, portanto, é algo que deve ser acompanhado de perto pelos países vizinhos.

Para o dirigente, a emergência de “sonhos retrógrados” ameaçam o sistema democrático, que parecia consolidado na região. “No Brasil, a situação é ainda mais grave, pois há um ex-presidente preso e impedido de concorrer”, afirmou Schmid, que veio ao Brasil em uma caravana de vinte trabalhadores da CGT. O dirigente manifestou ainda preocupação com os impactos que a instabilidade política pode ter na economia. “Quem vai investir em um país em que uma hora é um presidente, daqui a pouco já é outro?”

O secretario para assuntos internacionais da CTA (Central de Trabajadores de la Argentina), Andrés Larisgoitia, é taxativo: “Aqui não se está vivendo a democracia e sim uma aliança entre o poder de fato e o poder Judiciário.” Para Andrés, o momento é de defesa da liberdade e dos direitos políticos do ex-presidente Lula. “Para nós, trabalhadores, independente de ser brasileiro ou argentino, Lula é nosso representante. E é o candidato escolhido pelo povo brasileiro, pelo que dizem as pesquisas.”

O representante da CTA é também integrante de um Comitê em Solidariedade a Lula, na Argentina. O comitê foi criado logo após a viagem de dirigente sindicais a Porto Alegre, onde acompanharam o julgamento do processo de Lula em segunda instância.

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