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29/05/2018
ENSINO PRIVADO

A decisão ocorreu em Assembleia Geral, realizada na tarde desta terça-feira, 29, com a participação de cerca de 3,5 mil professores
Por Marcelo Menna Barreto
Assembleia foi realizada na rua Borges Lagoa, na Vila Clementina, em frente ao Sinpro-SP

Assembleia foi realizada na rua Borges Lagoa, na Vila Clementina, em frente ao Sinpro-SP

Foto: Marcelo Menna Barreto

Os professores do ensino fundamental e médio das escolas particulares de São Paulo aprovaram em Assembleia Geral,  na tarde desta terça-feira, 29, a proposta para a Convenção Coletiva de Trabalho 2018 (CCT), apresentada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado da cidade de São Paulo (Sinpro-SP), após dois meses de impasse com o setor patronal. A proposta garante a manutenção, por mais um ano (até então, as CCT tinham vigência de dois anos), de todas as cláusulas sociais, 15% de participação de resultados e reajuste salarial de 3%  (a inflação do período pelo INPC foi 1,81%). A Assembleia foi realizada em frente ao Sinpro-SP e contou com cerca de 3,5 mil professores, que tomaram boa parte da rua Borges Lagoa, na Vila Clementina, em São Paulo.

Antes de mais uma vez rumarem em marcha para a avenida Paulista, os professores ainda decidiram que na próxima quarta-feira, 6 de junho, realizarão mobilização para garantir a assinatura do acordo pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieesp). Caso isto não ocorra, a categoria decidiu que irá deliberar, em Assembleia, proposta para greve.

A exemplo do último dia 23, os docentes de São Paulo realizaram hoje mais um dia de paralisação em protesto contra a proposta patronal de reduzir o recesso escolar e o número de bolsas de estudos por filhos de docentes, entre outros pontos.

Foto: Marcelo Menna Barreto

Levantamento do Sindicato dos Professores registrou a adesão de mais de 100 escolas à paralisação (veja a lista apurada até ao meio dia).

Segundo o presidente do Sinpro-SP, professor Luiz Antonio Barbargli, a decisão da categoria foi importantíssima pois, até as vésperas da Assembleia desta terça-feira, a patronal estava irredutível. Barbargli ainda destacou a importância dos pais e alunos que apoiaram ativamente às reivindicações o que deu força para que mais professores se mobilizassem. “Quem estava mais preocupado saiu para o enfrentamento”, disse.

Conforme o presidente do Sinpro-SP, os pais não concordaram com a retirada dos direitos porque entendem que os custos já estão incluídos na mensalidade. Para o presidente da Fepesp, Celso Napolitano, o sindicato patronal queria forçar uma flexibilização das regras.
Napolitano também viu como uma vitória a negociação realizada pelo Sinpro-SP e tão logo se encerrou a Assembleia passou a ligar para os demais sindicatos de professores da base da Fepesp para solicitar autorização para negociar a extensão do acordo negociado para as demais entidades.

Pais e alunos no apoio

No domingo, 27, cerca de 2 mil pais e mães de alunos de 24 importantes escolas da capital divulgaram carta aberta onde se colocaram ao lado dos professores apoiando a reivindicação e a paralisação desta terça, 29. “O ponto que nos une é o apoio à educação de qualidade e o respeito pelo professorado. Esse respeito passa pela manutenção dos direitos já firmados em acordo coletivo há anos. Como pais e mães, estudamos o assunto e concluímos que não há motivos claros ou justificáveis para que o acordo (convenção coletiva) seja interrompido bruscamente”, diz o manifesto.

As negociações coletivas dos professores particulares de São Paulo começaram em março. Com o impasse, acabou indo para o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT/SP). Duas audiências de conciliação foram realizadas, sem acordo.

Mobilização

Pela manhã desta terça, 29, após a panfletagem em frente as escolas, foram realizadas aulas públicas nos seguintes locais: Parque Buenos Aires, Parque Água Branca, Praça Elis Regina, praça Santa Adelia, Largo da Batata, Largo Santa Cecilia, Praça Brás Gonçalves, Parque Trianon, Praça Doutor Werther Krause e Praça Paulo Eiró.

As fotos abaixo são da aula pública no Parque Trianon. Professores conversavam com transeuntes e alunos presentes. O Parque Trianon fica nas proximidades de um dos colégios mais tradicionais de SP, o Dante Alighieri.

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