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08/07/2018
JUSTIÇA

A decisão de Thompson Flores foi anunciada no final da tarde deste domingo, 8, após uma guerra de decisões que levaram centenas de militantes às ruas em todo o país
Por Cristina Ávila

Militantes caminharam até a sede do TRF 4, em Porto Alegre, após mobilização no Parque da Redenção

Foto: Igor Sperotto

No final da tarde deste domingo, 8, o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Thompson Flores, colocou um ponto final na guerra de decisões ocorridas durante todo o dia: Lula ficará preso. A decisão de Thompson endossou a decisão do relator da Lava Jato João Pedro Gebran Neto que, no início da tarde suspendeu ordem de habeas corpus que havia sido dada pelo plantonista do TRF 4, desembargador Rogério Favreto, em favor do ex-presidente Lula.

A notícia do pedido de soltura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, feito pelo desembargador Rogério Favreto, na manhã provocou uma mobilização rápida e espontânea de militantes de organizações sociais e partidos de esquerda em todo o país. Em Porto Alegre, sede do TRF 4, os manifestantes se encontraram por volta de 15h na Redenção, próximo ao brique. Cerca de uma hora depois de serem ouvidas lideranças políticas, o grupo decidiu ir para a frente do TRF, em uma caminhada de aproximadamente dois quilômetros. Gritando palavras de ordem, chegaram em alguns momentos a trancar o trânsito dos poucos automóveis que estavam nas ruas, sem que ouvissem reclamações. Ao contrário. Carros que passavam em direções contrárias, em ruas de mão dupla, buzinavam em apoio aos manifestantes. Muitos moradores da Cidade Baixa apareceram nas janelas dos prédios acenando positivamente e algumas bandeiras foram jogadas para fora dos apartamentos, em demonstração de solidariedade.

No caminho ao TRF, as notícias sobre as investidas do juiz Sérgio Moro e do desembargador João Pedro Gebran, relator do processo na oitava turma onde tramita o processo contra o ex-presidente, em certos momentos desanimaram as pessoas. Mas na maior parte do tempo foi alegria que tomou conta das 400 pessoas que participaram do protesto que se estendeu à noite. O grupo se entusiasmou logo que saiu do parque, ao ouvir gritos de apoio de passageiros de ônibus quando cruzaram a avenida João Pessoa e de parte dos motoristas de automóveis.

Antes dos manifestantes chegarem ao prédio do tribunal, uma frota de viaturas da Brigada Militar passou pelos manifestantes com sirenes ligadas, passando rápidos, para que soldados do batalhão de choque esperassem o grupo, já equipados inclusive com os escudos e capacetes pretos das ações de repressão policial. Os policiais, porém, não agiram com violência. Colocaram um cordão de isolamento impedindo que a marcha chegasse a frente do prédio do tribunal, e se posicionaram em um espaço de 50 metros. No outro extremo, dez pessoas levantaram uma bandeira do Brasil, pedindo a manutenção da prisão do ex-presidente. O batalhão de uns 40 soldados permaneceu de prontidão, dividindo também a imprensa. Do lado dos verde-amarelos ficaram jornalistas dos veículos tradicionais, que fizeram imagens com ângulo bastante fechado, para que o grupo parecesse maior do que realmente era. Do lado das bandeiras vermelhas, estiveram jornalistas da mídia alternativa. E durante o tempo todo, os celulares das pessoas registraram os acontecimentos. Os telefones móveis também foram importantes para a transmissão de informações que chegavam de Curitiba, onde a militância de esquerda mantém o acampamento Marisa Letícia há 93 dias. Na capital paranaense, muitas pessoas permanecem em barracas ao lado da Polícia Federal desde o primeiro dia da prisão de Lula.

Durante todo o tempo, estiveram na manifestação lideranças como a deputada federal Maria do Rosário, o candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo PT Miguel Rosseto e outras lideranças como Raul Pont, além de membros de instituições como a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, que apresentou ao TRF4 uma nota contra decisão tomada por Gebran. “Estamos em uma guerra política, de evidente perseguição ao líder que a população quer levar para a Presidência da República”, exclamou a defensora pública Maria Dinair, associada à instituição.

Entre as lideranças que contribuíram para a efetivação da marcha estava a vereadora petista da Câmara Municipal de Porto Alegre Sofia Cavedon. Ela enfatizou a importância da mobilização em Porto Alegre, devido à tramitação do processo na capital gaúcha. “Este ano faz 50 anos da edição do AI-5”, enfatizou, referindo-se ao Ato Institucional baixado em 13 de dezembro de 1968, que se transformou na expressão da ditadura militar, produzindo ações arbitrárias de efeitos duradouros.

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