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07/08/2018
MOVIMENTO

Paralisações organizadas pelas centrais sindicais no dia 10 de agosto são protesto contra desemprego, violações de direitos e aumentos de preços
Por Gilson Camargo*
Trabalhadores disputam 7 mil vagas ofertadas na 2ª Semana do Trabalho, Emprego e Renda, organizada pela Prefeitura de São Paulo, no Vale do Anhangabaú

Foto: Marcelo Camargo/ ABr

Trabalhadores disputam 7 mil vagas ofertadas na 2ª Semana do Trabalho, Emprego e Renda, organizada pela Prefeitura de São Paulo, no Vale do Anhangabaú

Foto: Marcelo Camargo/ ABr

Contra o desemprego e pelo respeito aos direitos conquistados em décadas de lutas dos trabalhadores, a CUT, demais centrais sindicais e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, promovem na próxima sexta-feira, 10, o “Dia do Basta!”. Em todo o país, trabalhadores realizarão paralisações, atrasos de turnos e atos de protestos nos locais de trabalho, praças e ruas. As frentes divulgaram nota, convocando os movimentos sociais a ampliar as manifestações. “Orientamos os militantes e as organizações do movimento social, sindical, artístico e cultural a aprofundar o diálogo com as centrais sindicais no sentido de apoiar as paralisações das diversas categorias”, ressalta o comunicado.

Entre as pautas, os trabalhadores também protestam contra a política de preços da Petrobras e o aumento do gás de cozinha, a política de privatização e os cortes promovidos pelo governo Michel Temer (MDB-SP) nas políticas sociais, além de reivindicarem liberdade do ex-presidente Lula e seu direito de concorrer à Presidência da República nas eleições de outubro. “É o dia para dizer que não aguentamos mais esse governo golpista e queremos que os nossos direitos sejam respeitados. E para que isso aconteça é fundamental que todos participem das atividades neste 10 de agosto em todo o país”, afirma o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.

País tem 13,4 milhões de desempregados e 10,9 milhões contratados sem carteira assinada. Os 1,78 milhão de empregos prometidos pelos autores da reforma trabalhista não se concretizaram

Foto: Marcelo Camargo/ ABr

País tem 13,4 milhões de desempregados e 10,9 milhões contratados sem carteira assinada. Os 1,78 milhão de empregos prometidos pelos autores da reforma trabalhista não se concretizaram

Foto: Marcelo Camargo/ ABr

Em São Paulo, as centrais e os movimentos populares marcaram a concentração para o ato a partir das 10h, na Avenida Paulista, região central, em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Campinas, no interior do estado, também terá um ato organizado pelos trabalhadores, a partir das 16h, no Largo do Rosário, no centro da cidade.

A CUT-RS e centrais sindicais definiram as paralisações e mobilizações em Porto Alegre no “Dia do Basta”, na defesa do emprego, da aposentadoria e dos direitos trabalhistas. “Vamos dizer um basta de desemprego, basta de retirada de direitos da classe trabalhadora, basta de aumento do preço do gás de cozinha e dos combustíveis, basta de privatização e desmonte do serviço público, basta de perseguição ao ex-presidente Lula”, afirma o presidente em exercício da CUT-RS, Marizar de Melo.

Haverá paralisações nas empresas e manifestações no centro da capital gaúcha para chamar a atenção da sociedade contra as reformas. Também estão organizadas atividades em várias cidades do interior do Estado, como em Santa Maria, Novo Hamburgo, São Lourenço do Sul, Passo Fundo, Guaíba, Sapiranga e São Leopoldo, dentre outras.

Defesa dos direitos e da democracia

Em Porto Alegre, a concentração terá início às 8h30, em frente à sede da Fecomércio (Avenida Alberto Bins, 665). “Trata-se de uma das federações empresariais, que apoiou o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff para aprovar a chamada ‘reforma’ trabalhista, que precarizou o trabalho, e a lei do teto dos gastos, que congelou o orçamento público para a saúde e a educação por 20 anos”, explica o secretário-geral adjunto da CUT-RS, Amarildo Cenci.

Depois, os manifestantes sairão em caminhada até a Praça da Matriz, onde será realizado, às 10h, um ato em frente ao Palácio Piratini. “Além do arrocho, atraso e parcelamento de salários, o governo Sartori (MDB) extinguiu fundações, fechou escolas, fez venda suspeita de ações do Banrisul, quer privatizar estatais e desmontar o serviço público, prejudicando quem mais precisa do estado”, destaca Marizar.

Na sequência, os manifestantes seguirão até o Foro Trabalhista de Porto Alegre (Avenida Praia de Belas, 1432). Lá, eles participarão, às 11h, do ato promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) em defesa da Justiça do Trabalho e dos direitos sociais. “O Dia do Basta será fundamental para colocar nas ruas a pauta de reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras em defesa de seus direitos e da liberdade do ex-presidente Lula, mantido preso político desde 7 de abril, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba”, salienta Amarildo. “Queremos Lula livre.”

 15 de agosto – Registro da candidatura de Lula

A mobilização antecede o dia 15 de agosto, data do registro da candidatura de Lula à presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. “A CUT se fará presente apoiando e reforçando nossa posição contra toda a farsa jurídica e midiática e em defesa da democracia e do direito de Lula, líder de todas as pesquisas, ser candidato a presidente para representar a classe trabalhadora”, conclui Marizar.

 Desemprego e informalidade

Freitas: “a recessão está destruindo as contas públicas e as famílias brasileiras estão sentindo isso no orçamento”

Foto: Igor Sperotto

Freitas: “a recessão está destruindo as contas públicas e as famílias brasileiras estão sentindo isso no orçamento”

Foto: Igor Sperotto

Com 13,4 milhões de desempregados e 10,9 milhões contratados sem carteira assinada e sem direitos garantidos, o país vive um contexto de crise social sem precedentes, agravado pela reforma trabalhista em vigor desde novembro de 2017. Todas as pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde que a nova legislação trabalhista entrou em vigor em novembro do ano passado mostram que a reforma se restringiu ao desmonte da CLT sem a geração dos 1,78 milhões de empregos com carteira assinada anunciados pelo governo como resultado da reforma. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostra que a taxa de desemprego no Brasil registrou 12,9% no trimestre encerrado em abril de 2018 e o número de empregados sem carteira de trabalho assinada atingiu 10,9 milhões de pessoas, o maior desde 2013. São 13,4 milhões de desempregados no país, um aumento de mais de 723 mil pessoas (5,7%) se comparado com o trimestre anterior – de novembro de 2017 a janeiro de 2018 –, quando a desocupação foi estimada em 12,7 milhões de pessoas. No total, são 90,7 milhões de ocupados, uma queda de 1 milhão de trabalhadores e trabalhadoras no trimestre. Na comparação com 2014, ano em que o país registrou a menor taxa de desemprego da história (média de 4,8%), a população ocupada diminuiu em 3,9 milhões de pessoas.

O número de empregos com registro em carteira chegou a 32,7 milhões de pessoas, uma redução de 557 mil ou de 1,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. É o menor índice de carteira assinada para trimestres encerrados em abril de toda a série da pesquisa, iniciada em 2012, segundo o IBGE.

INFORMALIDADE – Enquanto isso, o número de trabalhadores informais, sem carteira assinada ou que trabalha por conta própria, cresce a cada pesquisa. São 10,9 milhões de pessoas sem carteira, uma alta de 6,3% (mais 647 mil pessoas) se comparado ao primeiro trimestre de 2017, e 23 milhões de trabalhadores por conta própria, o maior número para trimestres encerrados em abril. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve alta de 3,4%, ou 747 mil pessoas a mais. Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, os dados do IBGE mostram que as taxas recordes de desemprego e geração de trabalho precário e informal se tornaram o cenário do mercado de trabalho brasileiro desde o golpe de 2016. Além do fim da CLT e da legalização de formas fraudulentas de contrato de trabalho, a condução da política econômica, ou a falta dela, é um desastre e tem agravado o cenário de desemprego e falta de expectativa da população brasileira. “O aumento dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha acima da inflação, causando uma paralisação no país, que o governo não consegue resolver porque não sabe nem com quem negociar, é um reflexo dessa política equivocada e da incompetência de Temer”, disse Vagner, se referindo à política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras e, também, as confusões aprontadas pelo governo que chegou a anunciar duas vezes o fim da paralisação dos caminhoneiros depois de negociar com grupos que a categoria diz que não os representa. “A recessão está destruindo as contas públicas e as famílias brasileiras estão sentindo isso no orçamento”, alerta.

MEDO DO DESEMPREGO – Poucas vezes nos últimos 22 anos os brasileiros ficaram tão preocupados com o emprego quanto agora, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice do Medo do Desemprego subiu para 67,9 pontos em junho, valor que está 4,2 pontos acima do registrado em março, e está entre os maiores da série histórica iniciada em 1996. Só em maio de 1999 e em junho de 2016, o indicador alcançou 67,9 pontos, informa a pesquisa divulgada em 9 de julho.

Segundo a CNI, o índice está 18,3 pontos acima da média histórica de 49,6 pontos. O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto maior o índice, maior o medo do desemprego.

De acordo com a pesquisa, o medo do desemprego cresceu mais para os homens e as pessoas com menor grau de instrução. Entre março e junho, o indicador subiu 5,6 pontos para os homens e 2,8 pontos para as mulheres. Para os brasileiros que têm até a quarta série do ensino fundamental, o índice subiu 10,4 pontos entre março e junho e alcançou 72,4 pontos. Entre os que tem educação superior, o índice subiu 0,6 ponto e passou de 59,9 para 60,5 pontos.

INSATISFAÇÃO – O levantamento mostra ainda que a satisfação com a vida também diminuiu. O índice de satisfação com a vida caiu para 64,8 pontos, o menor nível desde junho de 2016, quando alcançou 64,5 pontos. O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto menor o indicador, menor é a satisfação com a vida. Conforme a pesquisa, a queda do índice de satisfação com a vida foi maior na Região Sul, onde o indicador caiu 5,3 pontos entre março e junho e ficou em 63,8 pontos. Nas demais regiões, a retração foi inferior a 2,3 pontos. Nos estados do Sul, o índice é menor do que o das demais regiões.O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 128 municípios entre os dias 21 e 24 de junho.

*Com agências.

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