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11/10/2018
MUNDO

Marine Le Pen, conhecida por seu radicalismo e descontrole, quer manter distância do candidato brasileiro
Por Marcelo Menna Barreto
Marine Le Pen, que lidera extrema-direita na França com a Frente Nacional, repele o candidato do PSL

Foto: Front National/ Fotos Públicas

Marine Le Pen, que lidera extrema-direita na França com a Frente Nacional, repele o candidato do PSL

Foto: Front National/ Fotos Públicas

Marine Le Pen, líder da extrema-direita francesa, surpreendeu na manhã desta quinta-feira, 11, ao declarar ao canal France 2 que gostaria de manter distância das ideias de Jair Bolsonaro. Para ela, o candidato à presidência da República do Brasil pelo PSL, “diz coisas extremamente desagradáveis que são intransponíveis na França, são culturas diferentes”. A crítica é uma referência às declarações polêmicas dele sobre homossexuais e mulheres. Devido às suas ideias radicais de ultradireita, Le Pen, que está em campanha para uma cadeira no Parlamento Europeu nas eleições que irão ocorrer em maio de 2019, recebeu em setembro deste ano uma ordem judicial para que realizasse testes psiquiátricos depois de ter divulgado, em 2015, imagens chocantes de execuções para impressionar eleitores.

Marine nos últimos anos tem tomado medidas para moderar o discurso da Frente Nacional, partido que lidera e foi criado por seu pai, Jean-Marie Le Pen. A tática de moderar o discurso foi adotada pelo candidato ultradireitista brasileiro na tentativa de fazer os seguidores esquecer sua pregação contra as comunidades LGBTQ, negras e indígenas. Na França, Marine não tem medido esforços para desvincular seu partido da imagem construída por seu pai de simpatia ao nazismo.

Em 1987, Jean-Marie qualificou na França as câmaras de gás dos nazistas como “um detalhe da história da Segunda Guerra Mundial”, algo que, em menor escala, é similar às relativizações que o candidato do PSL no Brasil tem feito à escalada de violência promovida por seus simpatizantes desde o final do primeiro turno: “O cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso. O que eu tenho a ver com isso?”, esquivou-se ao ser questionado pela imprensa sobre o assassinato do mestre de capoeira e fundador do Afoxé Badauê, Romualdo Rosário da Costa, o Mestre Moa.

Considerado um dos maiores mestres de capoeira de Angola do Brasil e defensor de um processo de “reafricanização” da juventude baiana e do carnaval, Mestre Moa foi assassinado por um apoiador de Bolsonaro, com doze facadas nas costas, após ter dito que votou em Fernando Haddad, candidato do Partidos dos Trabalhadores, no primeiro turno.

Moderação e psiquiatria

Apesar da moderação, que agora incluiu o seu afastamento da imagem de Bolsonaro, que tem sido mal-visto na comunidade europeia, Marine Le Pen continua atacando os imigrantes e defendendo o retorno da pena de morte. Recentemente, ela comparou a ocupação nazista às orações dos muçulmanos nas ruas por falta de mesquitas. Sua pregação contra muçulmanos é semelhante às posições defendidas pela direita de outros países da Europa.

A obsessão de Marie contra os muçulmanos fez a juíza Carole Bocheter emitir ordem judicial para que a líder da extrema-direita francesa fosse submetida a um exame psiquiátrico “o mais breve possível”. A razão foram os inúmeros tuítes de Marine com fotos de atos de violência do Estado Islâmico em 2015. A solicitação da magistrada francesa é algo comum na justiça do país e serve para distinguir se um acusado é mentalmente capaz de ser processado ou não.

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