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11/10/2018
MOVIMENTO

A Bancada Ativista, formada por nove representações dos movimentos sociais, obteve a décima maior votação nas eleições para uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo
Por Gilson Camargo*
Mandato coletivo de deputado estadual será exercido por Fernando Ferrari, Claudia Visoni, Paula Aparecida, Raquel Marques, Monica Seixas, Erika Hilton, Chirley Maria, Anne Rammi e Jesus Dos Santos

Foto: Pedro Maia/ Bancada Ativista/ Divulgação

Mandato coletivo de deputado estadual será exercido por Fernando Ferrari, Claudia Visoni, Paula Aparecida, Raquel Marques, Monica Seixas, Erika Hilton, Chirley Maria, Anne Rammi e Jesus Dos Santos

Foto: Pedro Maia/ Bancada Ativista/ Divulgação

O mandato parlamentar exercido por um grupo de representantes de minorias é uma experiência nova na política. A primeira experiência surgiu nas eleições de 2016 para a Câmara de Vereadores de Alto Paraíso (GO), em que um coletivo dos movimentos sociais composto por cinco representantes conquistou uma vaga para vereador. Agora, uma candidatura coletiva foi eleita pela primeira vez em um grande colégio eleitoral, o estado de São Paulo. A Bancada Ativista, formada por nove ativistas políticos de diversas áreas, recebeu 149.844 votos, a décima candidatura mais votada no estado no pleito para a Assembleia Legislativa (Alesp).

A Bancada Ativista, representada nas urnas pela jornalista Mônica Seixas (PSOL), tem integrantes de diferentes correntes políticas, como filiados aos partidos Rede e PSol, e também pessoas sem ligação formal com nenhuma legenda.

Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não reconhece candidaturas coletivas, o coletivo teve de escolher um nome para representá-lo nas urnas e que irá ocupar uma única cadeira no Parlamento. “Somos um gabinete coletivo. Formalmente, sou eu que sento na cadeira de deputado, mas sou apenas porta-voz do grupo. Cada um deles será registrado como assessor parlamentar. Não temos relação hierárquica entre nós, e as decisões são tomadas em conjunto”, enfatiza Mônica Seixas.

FINANCIAMENTO – A nova forma de participação política não só atraiu um número expressivo de votos, mas também fez com que a candidatura alcançasse o maior financiamento coletivo do país, considerando a disputa para deputado estadual. Arrecadou R$ 72 mil, doados por cerca de 700 pessoas. “A Bancada é um movimento suprapartidário, dedicado a eleger ativistas para o Poder Legislativo em São Paulo. Composto por cidadãs e cidadãos com atuação em diversas causas sociais, econômicas, políticas e ambientais, visa a oxigenar a política institucional com a construção coletiva de campanhas e mandatos, com grande foco em transparência, pedagogia e participação”, destaca o texto de apresentação no site da Bancada Ativista.

Ato contra o genocídio da juventude negra promovido por representantes de movimentos sociais, na Alesp, em 2016

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ato contra o genocídio da juventude negra promovido por representantes de movimentos sociais, na Alesp, em 2016

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As propostas da bancada estão concentradas em sete eixos definidos pela luta dos movimentos sociais: “combate às desigualdades”; “educação e saúde libertadoras”; “cidades como espaços de produção de cultura”; “habitação e mobilidade para podermos ser e estar”; “segurança justa e humanizada”; “integração do social com o ambiente”; e “democracia de verdade”.

Moradora de Itu, Mônica Seixas, destacou-se como liderança popular no período em que o município enfrentou um grave desabastecimento de água, em 2014. Foi candidata a prefeita da cidade na última eleição municipal, é feminista, negra e ativista socioambiental.

Os demais ativistas são Anne Rammi, ciclista e ativista de causas ligadas à maternidade; Chirley Pankará, Indígena e pedagoga; Claudia Visoni, jornalista, ambientalista e agricultora urbana; Erika Hilton, transexual, negra e ativista de direitos humanos; Fernando Ferrari, militante contra o genocídio da juventude periférica e da participação popular no orçamento público.

Também fazem parte Jesus dos Santos, imigrante nordestino, militante da cultura, da comunicação e do movimento negro; Paula Aparecida, professora da rede pública, feminista e ativista pelos direitos dos animais; e Raquel Marques, sanitarista, ativista pela equidade de gênero e do parto humanizado.

*Com informações da Alesp e Agência Brasil.

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