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28/11/2018
AMBIENTE

Relatório apresentado nesta terça, 27, aponta que, após três anos de estagnação, a emissão de gases aumentou em 2017 refletindo diretamente no efeito estufa
Por Marcelo Menna Barreto

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Enquanto no Brasil o futuro chanceler Ernesto Araújo, escolhido por Bolsonaro, afirma que o aquecimento global é um “alarmismo climático” relacionado ao que chama uma trama marxista, relatório anual apresentado pelo departamento de meio ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 27 de novembro, em Nova Iorque, aponta que, após três anos de estagnação, as emissões de gases aumentaram novamente em 2017 refletindo diretamente no efeito estufa.

O relatório é divulgado a poucos dias da importante conferência sobre mudança climática da ONU, conhecida como COP 24, que ocorrerá em Katowice, na Polônia, por duas semanas a partir do dia 1º de dezembro, com a agência pedindo que as nações tripliquem seus esforços para reduzir as emissões nocivas. O objetivo principal da reunião será adotar um plano de implementação para o Acordo de Paris para o clima.

O documento da ONU alerta que se as nações quiserem que o aumento médio da temperatura fique abaixo de 2 graus Celsius até o fim do século é necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Para não exceder 1,5 graus, o desafio deve ser multiplicado por cinco. O Acordo de Paris que deverá ser implementado a partir de 2020, cujo o Brasil é um dos signatários, entende que se o mundo quiser evitar uma catástrofe climática é necessário que o aumento médio da temperatura fique entre 1,5 e 2 graus.

Elaborado pelo Unep, o departamento ambiental da ONU, o relatório aponta que com os atuais compromissos de redução de emissões o aumento da temperatura global deverá ser elevado em 3 graus em 2100. Com esse dado, o documento da ONU afirma: “Agora, mais do que nunca, é necessária uma ação sem precedentes e urgente de todas as nações”.
A retomada das emissões que o relatório denuncia vêm especialmente do setor de energia e tem como negativo o fato de que não há sinais de que atingiram o teto.

Alinhamento irrestrito à Trump

O Acordo de Paris, que prevê que em 2020 os países signatários devem apresentar seus planos nacionais para reduzir gases de efeito estufa até 2030, sofre grandes críticas do presidente americano Donald Trump, ao qual o próximo responsável pela pasta das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, nutre profunda admiração.

De fato, em junho de 2017 Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo que foi firmado em 2015, mas fazendo escola para o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, ensaiou voltar atrás em janeiro desse ano, se fosse realizado modificações no tratado, o que não foi aceito por líderes da Europa.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente eleito Jair Bolsonaro e o futuro ministro das Relações Exteriores, embaixador Ernesto Fraga Araújo, em entrevista à imprensa

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em texto publicado recentemente, o embaixador Araújo faz uma forte defesa do nacionalismo e apresenta Trump como um representante do que define como “anticosmopolitismo radical”. O futuro chanceler brasileiro vê na cooperação internacional o que chama de “globalismo” e vai mais longe nos elogios à política de Trump, que sofreu recente derrota com a perda da maioria na Câmara dos Deputados: “Somente um Deus poderia ainda salvar o Ocidente, um Deus operando pela nação — inclusive e talvez principalmente a nação americana”.

Nessa terça-feira, 27, o Itamaraty comunicou que vai retirar sua candidatura para sediar a COP-25, conferência anual da ONU onde irá acontecer outra etapa das negociações para a implantação do Acordo de Paris. O discurso oficial do governo Temer é o processo de transição dos governos e restrições fiscais e orçamentárias. Fontes do Ministério do Meio Ambiente no entanto informam que já havia uma reserva do Fundo Clima destinado para a realização da conferência no Brasil.

No anúncio de novos ministros para integrar seu governo ainda nesta quarta-feira, 28,  à tarde, Bolsonaro assumiu que houve participação dele nessa decisão. O presidente eleito disse aos jornalistas que existe a possibilidade do Brasil sair do Acordo de Paris e não quer “anunciar uma possível ruptura dentro do Brasil”.

Apesar de Bolsonaro durante a campanha ter afirmado que se fosse eleito não faria essa ruptura, caso seu governo realmente venha a concretizar a ameaça dita, o Brasil passará a integrar o diminuto grupo dos que não aderiram ao tratado: Vaticano, Estados Unidos, Nicarágua e Síria, sendo que desse, o próprio Estados Unidos tentou voltar atrás e a Síria somente não pactuou devido a guerra civil que tomava conta do país. O Vaticano somente não assinou por um motivo burocrático: A Santa Sé ainda não faz parte da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

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