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13/03/2019
MOVIMENTO

A área invadida no interior de Goiás tem 600 hectares e está sub júdice desde que o médium foi preso em dezembro
Da Redação
Mobilização integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra

Foto: MST/ Divulgação

Mobilização integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra

Foto: MST/ Divulgação

Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e também do Movimento Camponês Popular (MCP) ocuparam na manhã desta quarta-feira, 13, a fazenda Agropastoril Dom Inácio, em Anápolis, entre os distritos de Interlândia e Souzânia, no interior de Goiás. A propriedade pertence a João Teixeira de Farias, o “médium” João de Deus. Preso desde 16 de dezembro sob acusação de estupros em série e assédio sexual, Farias foi alvo de acusações coletivas de estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude, estelionato, coação e corrupção de testemunhas, formuladas a partir de denúncias de mais de 500 mulheres que frequentava a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO).

A área invadida que está sub judice tem em torno de 600 hectares e fica próxima à rodovia GO-433. A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra que começou na última semana com mobilizações em todo país. A fazenda integra o patrimônio do “médium”, que tem aplicações, empresas, carros, casas, fazendas e latifúndios de monocultivo de gado e soja e um avião Seneca II de seis lugares, e um garimpo de ouro em Nova Era, Minas Gerais.

João de “Deus” também é conhecido por concentrar lotes, terras improdutivas e terrenos em Goiás. São 27 registros de imóveis em seu nome, dos quais 23 estão na área urbana, totalizando 19.725 m², e quatro na zona rural, com 703 hectares, o equivalente a 723 campos de futebol. Em depoimento formal à polícia, o acusado afirmou ter seis fazendas em Goiás: Crixás, Itapaci, Anápolis, São Miguel, Pirenópolis e Abadiânia.

Em nota, o MST informa que a mobilização desta quarta-feira (13), que integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, tem como objetivo dar visibilidade a “um território que é fruto do abuso, do estupro e da violência”. “Por esses e tantos outros motivos as mulheres Sem Terra ocupam hoje um território que é fruto do abuso, do estupro e da violência. Lutamos #PorTodasNós em um Brasil que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) é o quinto em mortes violentas de mulheres no mundo”.

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