GERAL

Espanha decide pela retirada dos restos mortais do ditador Franco do Valle de los Caídos

Com a decisão, chega ao fim uma longa disputa judicial para desestimular o culto ao líder fascista vencedor da greve civil espanhola (1936-1939) que dividiu o país
Por Marcelo Menna Barreto / Publicado em 25 de setembro de 2019

Foto: iStock

Valle de Los Caídos: milhares de prisioneiros republicanos foram obrigados a trabalhar na obra faraônica de Franco

Foto: iStock

Os restos mortais do caudilho Francisco Franco finalmente vão deixar o Valle de los Caídos (Vale dos Caídos). Em decisão unânime, a Suprema Corte da Espanha rejeitou nessa terça-feira, 24 de setembro, as alegações finais dos netos do ditador que queriam que seu avô fosse enterrado na catedral de La Almudena, em Madri e, por isso, postergava a exumação. Assim, chega ao fim uma longa disputa judicial para desestimular o culto ao líder fascista vencedor da greve civil espanhola (1936-1939) que dividiu o país e que comandou ditatorialmente a nação ibérica até o ano de 1975.

A decisão da mais alta corte de justiça da Espanha, de que o enterro seja feito no cemitério de Mingorrubio-El Pardo é um triunfo para o governo e um alívio para o cardeal de Madri, Carlos Osoro, que desde o início da celeuma teve grandes embates com o responsável pelo mosteiro do Valle de los Caídos, o monge beneditino Santiago Cantera Montenegro. Com origens franquistas, Montenegro era militante favorável da manutenção de Franco no monumento. Desde sua fundação, a basílica que coroa o que Franco disse ser um monumento de união nacional é administrada pela Ordem de São Bento.

Crédito: Reprodução

Atual sepultura de Francisco Franco

Crédito: Reprodução

A Igreja Católica também se opôs a ideia de que Franco fosse sepultado na catedral de Madri, se alinhando ao governo que alegou a possibilidade de conflitos  e a transformação do centro da capital em  local de peregrinação da extrema direita europeia.

Nem Franco, nem Primo

Antes da votação, apoiadores da campanha “Ni Valle ni Almudena” se postaram em frente ao Supremo Tribunal manifestando sua oposição aos objetivos da família de Franco. Estiveram presentes na ocasião associações de memória histórica, vítimas de Franco, associações de bairro, sindicatos, ambientalistas, feministas e grupos antifascistas.

Mesmo com a vitória dessa terça-feira, as organizações que fazem parte da campanha deixaram claro o objetivo de dar continuidade ao movimento “até a saída” dos restos mortais de Franco e, também, de Primo de Rivera (José Antonio Primo de Rivera y Sáenz de Heredia) da basílica do Valle de los Caídos.  Primo de Rivera foi o fundador da Falange Española, organização política de inspiração fascista.

Comentários

Siga-nos