MOVIMENTO

Protesto e abraço simbólico marcam 153 anos do Instituto de Educação, ameaçado de privatização

Movimento reivindica cumprimento do projeto de restauro e manutenção do prédio histórico como sede integral da instituição pública
Por Flávio Ilha e Igor Sperotto (fotos) / Publicado em 9 de abril de 2022

Mobilização em defesa da instituição reuniu centenas de educadores pela manutenção do projeto original de restauro, que prevê o ocupação de todos os 8,5 mil metros quadrados da escola com atividades exclusivamente pedagógicas

Foto: Igor Sperotto

Foi com um abraço envolvendo centenas de pessoas que a comunidade escolar do Instituto de Educação do Estado (IE) comemorou neste sábado, 9, os 153 anos da instituição, transcorridos na última terça-feira, 5, em meio a um cenário de incertezas: a retomada das obras de restauração, em janeiro, trouxe junto a insegurança em relação ao destino do prédio, construído em 1937 especialmente para abrigar a então mais importante escola do Rio Grande do Sul.

“Não vamos ceder um milímetro de nosso objetivo de manter este prédio como sede integral do Instituto de Educação. Por isso estamos, num sábado chuvoso, lutando pela educação pública”, assegurou a presidente da Comissão de Restauro da instituição, Maria da Graça Morales. Como revelou o Extra Classe em outubro de 2021, o então governador Eduardo Leite (PSDB) cedeu 25% do espaço físico do prédio para a instalação de um museu tecnológico, a ser explorado por uma ONG privada.

Desmonte da instituição

A desocupação do IE completou seis anos, após episódios de desabamento de estruturas internas que ameaçaram a integridade física de alunos e professores. Em 2014, um amplo estudo de restauro foi elaborado e aprovado pela comunidade escolar, secretaria estadual de Educação e secretaria de Obras. A empresa de engenharia Porto Novo venceu a licitação de reforma e foi contratada no final de 2015, o que obrigou os quase 2 mil alunos de então a se dividirem entre quatro espaços distintos.

Maria da Graça: “Não vamos ceder um milímetro de nosso objetivo de manter este prédio como sede integral do Instituto de Educação”

Foto: Igor Sperotto

Mas a construtora rompeu o contrato em 2017, alegando falta de pagamentos pelo governo estadual. A Concrejato Engenharia venceu a segunda disputa para a reforma do Instituto, em outubro de 2018, e tocou o projeto até agosto de 2019. Também parou porque o governo Leite não fez nenhum repasse do valor contratado – cerca de R$ 23 milhões. Em 2021 surgiu o projeto de instalação de um museu, sem que a comunidade escolar fosse consultada.

O restauro foi retomado em janeiro com a promessa de recursos orçamentários de R$ 25 milhões. Mas, de novo, a comunidade não foi ouvida. E sequer pôde acompanhar a retomada. “A secretaria de educação alega que está finalizando o projeto. Mas não nos interessa ter acesso a isso depois de pronto, queremos nossa escola de volta”, afirmou Maria da Graça.

Defesa da educação pública

Manifestação também teve atividades lúdicas com os alunos e os pais, jogos, brincadeiras e recreação

Foto: Igor Sperotto

No ato deste sábado, diversos educadores e educadoras defenderam a manutenção do projeto original de restauro, que prevê o ocupação de todos os 8,5 mil metros quadrados da escola com atividades exclusivamente pedagógicas. “Esta é uma ação conjunta em defesa da educação pública, democrática, multicultural e multicolorida”, disse a pedagoga Liliane Giordani, diretora da Faculdade de Educação da Ufrgs. “Basta de se apropriarem de nossos espaços”, completou.

Também houve atividades lúdicas com os alunos e os pais, jogos, brincadeiras e recreação. “O legado do ex-governador Eduardo Leite é este”, disse a presidente do Conselho Escolar do Instituto, Ceniriane Vargas, apontando para o prédio deteriorado da escola. “A obra devia estar concluída há cinco anos. Nossa luta vai continuar e, se for necessário, vamos partir para ações mais efetivas”, afirmou.

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