OPINIÃO

A mineração avança sobre o Bioma Pampa

EDITORIAL
Da Redação / Publicado em 21 de setembro de 2020

Nº 247 | Ano 25 | SETEMBRO 2020

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A disputa pelas riquezas minerais do subsolo brasileiro elegeu o Rio Grande do Sul como nova fronteira da mineração explorada por grandes empresas transnacionais. Três dos quatro maiores projetos em fase mais adiantada no estado situam-se no Pampa – o maior dos seis biomas brasileiros que ocupa mais de 60% do território gaúcho, já explorado à exaustão pelas monoculturas de eucalipto e soja. Ao todo, são mais de 5 mil requerimentos para pesquisa em solo gaúcho e 166 projetos em andamento, como estratégia do Plano Estadual de Mineração elaborado ainda no governo de José Ivo Sartori. A reportagem de capa desta edição faz o mapeamento da mineração no estado e mostra quem lucra com essa atividade de altíssimo impacto socioambiental, na qual as empresas vendem sem valor agregado, realizam o lucro nas suas sedes e deixam para trás o custo ambiental.

Povos indígenas

O líder indígena Dinamam Tuxá afirma – na entrevista do mês – que a escalada de violência instituída contra os povos originários na atualidade não tem precedentes na história do país, nem mesmo na época da ditadura militar. Desarticulação das políticas de proteção ao índio e ao meio ambiente, aparelhamento dos órgãos de fiscalização, discurso de ódio e promoção da desigualdade, na sua avaliação, compõem um cenário que empurra o país para um genocídio, situação agravada pela pandemia. “Fica cada vez mais evidenciado para nós, indígenas, que este governo tem sim um projeto político. E dentro desse projeto político está o extermínio dos povos indígenas”, afirma ele, que é advogado, mestre em desenvolvimento sustentável e coordenador nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). “Cenários como esses nós já vivenciamos, resistimos e sobrevivemos”, avisa.

Cortes de verbas na Educação

O projeto de lei orçamentária enviado ao Congresso pelo Executivo impõe ao MEC o maior corte de verbas entre os principais órgãos de governo para 2021 no que se refere às despesas discricionárias – aquelas que se destinam ao custeio, investimentos e assistência estudantil, construção de creches, bolsas de apoio, repasses para expansão do ensino integral, tecnologia nas escolas. A proposta é de 19,955 bilhões, o que representa um corte de 8,9% em relação ao que foi destinado nesta rubrica para a Educação em 2020. O orçamento total do MEC é projetado em R$ 144,5 bilhões, quase o mesmo valor de 2020 (R$ 142,1 bilhões) e inferior aos recursos destinados em 2019 para a pasta.

Completam a edição as matérias sobre o ensino privado no estado, com a atuação e as políticas do Sinpro/RS nesse período de pandemia,  além dos colunistas do Extra Classe.

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